segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Terapeuta fala sobre tantra e garante: não é normal não querer ter relação, confira aqui! |Últimas Notícias do Brasil!


Terapeuta fala sobre tantra e garante: não é normal não querer ter relação, confira aqui! |Últimas Notícias do Brasil!




Paula Emanuéla buscou conhecer o tantra para resignificar uma dor proveniente de um abuso que sofreu na infância. Naquele momento, ela já era casada, e junto ao esposo procurou ajuda.

Após as sessões, sentiram que a área também poderia ajudar outras pessoas. A terapeuta define a terapia, também conhecida como yoga tântrico e tantrismo, como uma filosofia comportamental de vida, originada de práticas matriarcais, sensoriais e que valoriza a liberdade de cada indivíduo.

São vários os métodos terapêuticos oriundos do tantra, mas de uma forma geral, ele trabalha o desenvolvimento integral do ser humano nos aspectos físico, mental e espiritual.

Paula e seu esposo Alex são sócios na Terapia Global há oito anos e, desde que começaram, realizaram mais de 20 mil atendimentos no espaço. Ela também enfatiza que trabalhar as relações no tantrismo, apesar de ser apenas uma dessas vertentes, se popularizou muito no ocidente pelo melhoramento de disfunções, traumas e na busca pelo prazer. Além de terapeuta, ela é orientadora de relação, palestrante e cursa sua pós-graduação de psicologia em orientadora de relação.

Como conheceu o tantra e quando se transformou em profissão?

Essa primeira busca foi para meu uso pessoal, quando vi já estava atuando com outras pessoas. Tem oito anos que estou na área. Eu e meu marido fomos uns dos que trouxeram essa terapia para Cuiabá. O tantra é uma filosofia de vida matriarcal, no sentido que ele vem trabalhar a liberdade, mas, principalmente, a liberdade de sentir a si mesmo. Muita gente associa essa liberdade ao outro, o outro faz parte disso, mas o alicerce do tantra primeiramente sou eu. O tantra é respiração, meditação, uma filosofia comportamental e vem trabalhar não só a canalização dessa energia de relações, mas o contexto geral que essa energia traz para o meu dia a dia.

Enfrentaram tabus? As pessoas que chegam para as sessões ficam nervosas?


Primeiro começou com nossa família. Em 2011 tivemos que dizer que éramos tântricos, trabalhamos as partes íntimas, mas não temos relação com os clientes.


É muito interessante isso, a família ficou "meio assim" e os amigos também, então imagine a sociedade. Abrimos o mercado na foice, recebemos muita resistência e preconceito.

Só que estávamos preparados para lidar com essa situação, pois estudamos para isso. As pessoas chegam aqui tremendo, temos um pergolado que é cercado de árvores, pra quando a pessoa chegar e tocar a campainha a gente já abre. Normalmente, é só na primeira sessão, porque a pessoa não sabe ainda o que é.

Como é possível alcançar o tão sonhado ápice múltiplo?

O ápice múltiplo é perfeitamente acessível tanto para o homem quanto para a mulher. Vamos começar primeiro com as shaktis, que é como nos referimos às mulheres no hinduísmo e tantrismo, que muitas vezes não chegam ao ápice, elas acessam um relaxamento profundo e acabou.

No tantra já não é assim, quanto mais ela chega, mais vai se abrindo caminho para que ela chegue cada vez mais. Toda mulher pode ter  múltiplos, é um direito de nascença, assim como o homem.

O homem tem a questão da ejaculação, as mulheres também, só que essa ejaculação da mulher não difere na performance, pois não amolece, o que amolece seria a energia.

O homem tem que ter uma sustentação dessa energia, que quando acontece a ejaculação acaba a festa. Existe também essa dança do tempo do homem e do tempo da mulher, pois o homem funciona como um microondas e a mulher como um fogão a lenha, e é possível a sensação de chegar lá sem a sensação de colocar pra fora, a perda da energia do pênis dura de três a quatro segundos e volta a uma ereção e é por isso que eles ficam ali tanto tempo, com três a quatro horas de relação.


Sobre algumas das disfunções, a precocidade ainda é uma das mais temidas e polêmicas, como é o tratamento?

Cerca de 90% dos homens que nós atendemos falam que tem precocidade. Todo homem acha que tem o orgão pequeno e a precocidade, daí quando esse cliente chega, explicamos para ele carinhosamente o que é precocidade - que é quando ele toca em uma mulher e já chega, a mulher sentou nele, ele chega.

Mentalmente os homens acham que a relação tem que durar uma hora, mas na nossa performance ocidental o tempo muda, pois na nossa performance, a relação não para, se ele parasse, tocasse, cheirasse, poderia durar pelo menos quarenta minutos, mas como eles vão com muita sede ao pote, normalmente vem essa situação. A maior parte dos homens que saem da  precoce com o medicamento, eles vão para uma  retardada, então não acontece mais.

O tantra é um trabalho de orientadora de relação. Conduzimos os nossos interagentes, ensinamos a respiração e mostramos como na casa dele ele vai se tocar e no ato da relação, quando é um casal, nós trazemos a mulher para o momento e pedimos a ela que lembre ele de respirar.





Como as pessoas se transformam através do tantra?


A mulher fica muito mais seletiva e exigente, porque ela conhece a sensação, o tato tem mais um toque amoroso, acolhedor e respeitador. O homem que já chega direto pegando no corpo, sem esperar a resposta do corpo, a resposta da mulher e vai direto pra inserção, é diferente do homem do tantra, pois no tantra ele primeiro reverencia a mulher. Ele relaxa e prepara aquele corpo, acordando cada pedacinho, para quando chegar naquele espaço sagrado que é a região da mulher, o corpo dela todinho já fez esses caminhos, e ela já está aberta para acessar o prazer.

Como a indústria adulta tem afetado nas relações? O ocidente tem relação errada?

Nós fomos ensinados pela videografia adulta, e ela não é a realidade da nossa relação. Ninguém é aquilo lá. A gente pode até copiar, mas ninguém garante o prazer. É tudo uma mentira e encenação. Não é que o tantra é o certo e nós no ocidente fazemos errado, mas nós não aproveitamos todos os benefícios que a relação pode dar, não apreciamos nosso estado de presença e não conhecemos o nosso corpo. Se eu não me conheço, como é que eu vou conhecer o outro? Então, acho que a gente perde para os orientais por isso.






Como a pandemia interferiu na vida das pessoas?

A pandemia veio mostrar o que não estava legal. Antes, cada pessoa tinha uma fuga (como o trabalho), apesar de manter um relacionamento legal. De repente, essas pessoas tiveram que ficar em casa e o que não estava bom veio a tona e piorou de vez. 

Então, essas pessoas tiveram oportunidade de olhar para o que precisava e alguns procuraram ajuda dizendo que não queriam viver isso. Por isso também houve um grande número de divórcio nesse período, mas isso não foi algo que aconteceu só aqui, começou lá no oriente. 

Até porque hoje em dia é tão mais fácil separar, é só pensar assim "não to legal" e separa. Quando as pessoas não trabalham por estarem de férias, normalmente, vão passear e saem da rotina, mas dessa vez tiveram que ficar em casa. No entanto, teve quem tenha usado isso para se aproximar e aprimorar ainda mais a libido, porque tiveram tempo, afinal o que a gente tem de mais valioso hoje em dia é o tempo.


É natural não querer ter relação? O quão ele é importante para a qualidade de vida de uma pessoa?

Existem pessoas que falam que não precisam de relação, porém nós somos seres de relacionamento, a gente se conecta nas nossas relações amorosas através disso. Eu sempre falo que nós somos seres que nos conectamos com o mundo por meio dela. 

Viemos disso. Isso não é ensinado as pessoas, não é uma educação que a gente recebe dentro de casa, e vamos crescendo achando que isso não precisa ser falado. O tantra auxilia nessa quebra de tabu, pois não é normal não querer ter relação, normalmente tem alguma coisa ali por trás. 

Mulheres que entram no ciclo menstrual, que vai acontecer uma vez por mês, tudo bem, mas nunca querer não é normal. Alguns dos motivos de uma mulher não querer é o baixo libido, que o nosso cérebro manda sinais para abaixar, após a falta de lubrificação, dores na penetração e aí vem um monte de disfunções. 


A relação é vital, é uma energia que pode gerar vida e quando eu acesso ela, acesso também algo superior a mim.






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