terça-feira, 8 de setembro de 2020

Tiro em banheiro e amizade vasculhada: as investigações sobre morte de garota de 14 anos em casa de atiradores, confira aqui! | UltimasNoticiasDoBrasil..com



Tiro em banheiro e amizade vasculhada: as investigações sobre morte de garota de 14 anos em casa de atiradores, confira aqui! | UltimasNoticiasDoBrasil..com
Isabele Guimarães morreu aos 14 anos, em 12 de julho, após disparo feito por sua amiga em Cuiabá (MT)


Uma adolescente é baleada no rosto pela melhor amiga. A arma veio de fora da casa. De um lado, a versão de disparo acidental. De outro, dúvidas sobre os relatos de quem estava naquela residência, em um condomínio de luxo em Cuiabá (MT). Afinal, o que aconteceu?

Um encontro entre jovens se tornou uma tragédia no dia 12 de julho. Naquela tarde, Isabele Guimarães, de 14 anos, foi à casa das amigas, como fazia com frequência. Horas depois, a jovem foi morta com um tiro no rosto.

Após o disparo, Isabele ficou caída e completamente ensanguentada no chão de um banheiro da residência. Durante 50 dias, a Polícia Civil de Mato Grosso investigou o caso.

Laura*, também de 14 anos, relatou à polícia que disparou de modo acidental em Isabele. A adolescente argumentou que se desequilibrou, enquanto segurava duas armas.

No depoimento à polícia, Laura classificou o disparo contra Isabele como um "trágico acidente" e disse que não poderia "conceber tirar a vida da sua melhor amiga".

As investigações da Polícia Civil contrariam a versão da jovem. As apurações, concluídas nesta semana, indicaram que Laura atirou intencionalmente. Por ser adolescente, ela deve responder por ato infracional análogo a homicídio doloso — quando há a intenção de matar.

A defesa da família de Laura contesta as apurações da polícia e afirma que as investigações foram concluídas de modo apressado.

A empresária Patrícia Hellen Guimarães, mãe de Isabele, não acredita na versão de Laura. Ela afirma que nunca teve dúvidas de que o disparo contra a filha foi intencional.

"Percebi, desde o começo, que a família (de Laura) queria fazer parecer que o que aconteceu com a minha filha foi acidente. Mas eu sei que não foi", diz à BBC News Brasil.

Laura praticava tiro esportivo desde o fim do ano passado, assim como seus três irmãos. Ela participou de duas competições e venceu uma delas.

Adolescentes como Laura podem praticar tiro esportivo sem precisar de autorização judicial, após decreto do presidente Jair Bolsonaro. A medida, de maio de 2019, define que jovens, a partir de 14 anos, precisam apenas da permissão dos responsáveis para que possam praticar a atividade com armas.

A família de Laura integra uma categoria que tem crescido no país, principalmente durante o governo Bolsonaro: os CACs, aqueles que se declaram colecionadores de armas, atiradores desportivos ou caçadores.

Dados do Comando do Exército, levantados pelo Instituto Sou da Paz por meio da Lei de Acesso à Informação, apontam que somente em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, foram cadastrados 147,8 mil novos CACs. É o maior número desde 2004. Em 2018, por exemplo, foram 87,9 mil novos cadastros. No ano passado, ao todo, havia 396,9 mil registros de CACs no país.

Para adquirir armamento, os CACs devem solicitar uma autorização ao Exército. Os números de armas em poder dos CACs, segundo dados apurados pelo Instituto Sou da Paz, saltaram de 350,6 mil, em 2018, para 433,2 mil no ano passado — crescimento de 24%, a maior variação, ao menos, desde 2015, quando o instituto iniciou o levantamento.

As armas
Laura, a irmã gêmea e Isabele moravam no mesmo condomínio, em uma área nobre de Cuiabá. Elas eram amigas há cerca de dois anos.

Patrícia relata que sempre foi extremamente zelosa com os filhos — ela também é mãe de um garoto de 12 anos. A empresária afirma que sabia que a família de Laura praticava tiro esportivo.

"Mas não imaginava que as armas estivessem ao alcance de todos. A minha filha nunca me contou isso. Acreditava que fosse um local seguro", relata.

Na tarde daquele domingo, 12 de julho, o adolescente Marcos*, de 16 anos, atraiu os olhares da família de Laura, sua namorada, após chegar sozinho à residência com um case (uma espécie de maleta) com duas pistolas. Orgulhoso, o jovem exibiu as armas com as quais disse ter vencido dois campeonatos. Ele retirou o carregador de munições de uma das armas, uma pistola calibre 380, e os moradores a manusearam, enquanto o adolescente exaltava as qualidades do objeto.


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