segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Mulher trans de MT ganha nova voz após briga na Justiça contra plano de saúde, confira aqui! | UltimasNoticiasBrasil..com


Mulher trans de MT ganha nova voz após briga na Justiça contra plano de saúde, confira aqui! | UltimasNoticiasBrasil..com


Pessoas transgênero não se identificam como pertencendo ao gênero biológico, o do nascimento. Dentre todas as dificuldades enfrentadas, a identificação com a voz pode ser uma das principais, especialmente por mulheres trans. Acontece que a voz é um importante definidor de gênero na sociedade em que vivemos.

As intervenções cirúrgicas e fonoaudiólogas dão a pessoas trans a possibilidade de adequação social. A jovem Rafaela Rosa Crispim, 20 anos, faz parte desse grupo. Há cerca de 20 dias, ela realizou a cirurgia de tireoplastia – a popular mudança de voz.

O procedimento foi realizado em Porto Alegre, no dia 26 de setembro, como o médico Geraldo P. Jotz.

A ansiedade pela ‘nova voz’ começou ainda na sala de cirurgia. Por mais bobo que seja o medo de perder a voz passou pela cabeça de Rafaela. “É minha principal fonte de trabalho e militância”, lembra Rafaela.

Com o sucesso do procedimento, veio o descanso vocal: 15 dias sem dizer uma palavra. Durante o repouso mais ansiedade. Foi só na sexta-feira (2), que Rafaela falou as primeiras palavras com a nova voz.

O resultado surpreendeu: “Foi um momento lindo. Me emocionei muito, mas ainda é um processo longo. São muitas sessões com a fonoaudióloga”, explica Rafaela, dizendo que deve ficar em Porto Alegre por mais duas semanas para os procedimentos.

A cirurgia, para Rafaela, significa dar vida à pessoa que ela realmente é.

“Essa conquista representa um avanço a nível nacional. Representa anos de sofrimento vencidos. Também representa um bom trabalho realizado pela minha equipe jurídica, o escritório ao qual estou e com certeza, toda minha equipe médica que foram solidários”, diz.

Luta na Justiça
Todos os custos foram bancados pelo plano de saúde: transporte aéreo, hospedagem, honorários médicos e fonoaudiólogos. Para ter o direito ao custeio, porém, a luta na Justiça foi grande.

Há dois anos Rafaela mora em Cuiabá, onde cursa a faculdade de Direito. Já na Capital, decidiu contratar um plano de Saúde. Desde o primeiro dia, teve problemas com o plano. O episódio com um médico católico faz parte das histórias.

Depois de optar pela cirurgia, a jovem escolheu realizar o procedimento em Porto Alegre. No Brasil, além da capital do Rio Grande do Sul, a intervenção só é feita no Ceará e em São Paulo. Após pedir a autorização do plano para ser encaminhada, a primeira negativa.

Ela passou por 12 médicos, entre fonoaudiólogos, endocrinologista, psiquiatra, psicólogos, dermatologista, urologista e ginecologistas. No ano passado, todos emitiram juntos um laudo multidisciplinar pedindo as cirurgias em caráter de urgência. Rafaela estava em depressão profunda e precisava continuar sua redesignação de sexo.

A Justiça condenou a operadora do plano de saúde a bancar todos os procedimento. Após recursos, foi no dia 3 de junho que uma ordem judicial ordenou a realização da cirurgia pela terceira vez.

Rafaela quer que a própria história sirva de jurisprudência para outras pessoas trans.

“Esse processo é o marco até o momento mais importante na minha carreira. Foi muito doloroso abrir ele ao público, toda minha vida exposta ali, minhas fragilidades.  Porém, se eu não abrisse o caso de nada adiantaria. A jurisprudência não seria entregue a todos. Poucos saberiam. Somente eu seria beneficiada, terceiros não.  Então tomei a decisão de abrir, de dar voz ao caso, de trazer luz a esse processo obscuro”, finaliza.

fonte: Livre

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