quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Casal abusa das filhas, filma e joga na internet. Veja


 

Jacson Santos Pereira e Analice de Jesus dos Santos, de 33 anos, foram detidos nesta terça-feira (24/11) em Itaberaba, a 264 km de Salvador. Eles são acusados de abusar e filmar os abusos cometidos contra as próprias filhas no bairro do Lobato, Subúrbio Ferroviário de Salvador. A prisão acontece quatro dias depois de a situação ter sido denunciada pelos repórteres Jean Mendes e Beatriz Bulhões, do Aratu On. Jackson é pai de uma menina, que identificaremos como Amanda*, e Analice é mãe de uma outra garota, dois anos mais nova, que chamaremos de Carol*. Ao iniciarem um relacionamento, os dois começaram a abusar as crianças. 


Em nota, a Polícia Civil informou que os mandados de prisão preventiva estavam em aberto desde a época em que os crimes foram denunciados, em 2019. A redação do Aratu On apurou, entretanto, que embora as investigações tenham começado em dezembro do ano passado, quando os pendrives com os vídeos dos abusos foram entregues na Delegacia Especializada de Repressão a Crime Contra a Criança e o Adolescente (DERRCA), os mandados de prisão contra eles só foram emitidos em abril deste ano, após acompanhamento quase que diário da equipe de reportagem.

RELEMBRE O CASO: 

Os crimes aconteciam na casa onde a família morava, no bairro do Lobato. Amanda*, que hoje tem 17 anos, voltou a viver com a mãe há cerca de dois anos, mas não conseguia denunciar os abusos cometido pelo próprio pai. “Eu tenho um namorado e não conseguia ter relações com ele, porque eu me sentia estranha. Ele perguntava e eu tinha medo de contar. Um dia, eu falei. Ele me prometeu que não iria contar pra ninguém, mas quando soube do ocorrido, me incentivou a contar pra minha mãe e procurar a polícia”, relata a filha de Jacson Santos Pereira.

A mãe dela, Girlene da Anunciação de Jesus, foi quem denúnciou à polícia e contou ao pai de Carol*, hoje com 15 anos, o que acontecia. A meio-irmã não sabia, mas a mais nova continuava sendo abusada pelo padrasto e pela mãe, tendo sofrido um aborto no começo de 2019.


 
Ao tomar conhecimento do crime, o gari Alessandro Pereira Santos trouxe a filha para morar com ele. “Eu perdi o chão [quando recebeu a notícia], sendo sincero. Você criar filho para marginal fazer o que bem quiser e achar que vai ficar por isso mesmo, não vai ficar. A mãe dela fez isso e não vai ficar assim”, desabafou o pai.

As meninas contam, em detalhes, como tudo aconteceu. “Na primeira vez, ele disse que iria me ensinar como fazia e mandou a minha irmã tocar no corpo dele. Depois, disse que era minha vez, mas eu não entendi”, lembra Amanda.  O suspeito lhe dava presentes, como celulares caros, e ela não entendia o que acontecia. “Eu sentia amor de pai por ele. Hoje em dia, isso dói demais em mim e me arrependo de ter desobedecido minha mãe, porque eu sentia muito amor por meu pai. Depois que perdi a virgindade com ele [Jacson], foi à minha casa, disse que eu tinha me ‘perdido’ com um menino, só que era mentira. Minha mãe disse que não tinha visto nenhum namorado meu. Eu me sentia triste demais. Quase entro em depressão”, conta.

Apenas quando fez 15 anos teve coragem de voltar para a casa da mãe, apesar das ameaças que sofria. Ela conta que sua mãe adotiva, Analice, dizia que coisas ruins aconteceriam com Jackson caso ela contasse para alguém, o que fez com que ela tentasse apagar as memórias e evitar o assunto.

Carol, inclusive, já havia tentando suicídio. O pai biológico dela, Alessandro, conta que ficou assustado e perguntou várias vezes a filha o que a levara a tomar veneno, mas ela desconversava e dizia sentir ciúmes dele, por ter outro filho. “Me relacionei com minha mãe, minha irmã e com Jacson ao mesmo tempo. Todo mundo junto”, lembra ela.

Foi Carol, também, que engravidou do padrasto. “É estranho. Eu vinha enjoando, enjoando e minha mãe comprou um teste. Me levou para fazer um ultrassom e o bebê tinha dois meses. Ele comprou uma ‘garrafada’ e não resolveu. Depois de uma semana, ele comprou remédios para aborto. Colocou seis em mim. Depois, o feto desceu já grande”, contou.

Agora, Jackson e Analice estão à disposição do Poder Judiciário. Os dois estão detidos na carceragem de Itaberaba e devem ser transferidos para um complexo penal.

Com informações do site: DeOlhoNews