quinta-feira, 26 de novembro de 2020

'Ele já ameaçou me jogar da sacada com uma arma e tentou me estrangular. Me arrependo', diz cantora gospel agredida no Rio


 

Durante um ano e três meses, a cantora gospel Quesia do Carmo Freitas deixou a paixão e o amor falarem mais alto no seu relacionamento com Bruno Feital, que foi marcado por constantes agressões, ameaças e três registros de ocorrência na Lei Maria da Penha. O último episódio de violência aconteceu no sábado, dia 21, quando o marido, de 35 anos, foi flagrado batendo na mulher, também de 35 anos, dentro de um shopping no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Levados por policiais militares para 42ªDP (Recreio), a vítima prestou queixa, mas omitiu detalhes da relação conturbada e dispensou de realizar um exame de corpo de delito. Em entrevista ao EXTRA, enquanto tenta se recuperar em um retiro espiritual em São Paulo, Quesia diz que sentiu medo e não conseguiu falar a violência doméstica que sofre desde os primeiros dias do casamento.


A cantora revela que o marido já ameaçou jogá-la da sacada, com uma arma em diversas brigas e até tentou estrangulá-la. Mãe de três filhos — de 12, 10 e 7 anos—, Quesia Freitas afirma que está arrependida de ter aceitado voltar para o marido depois de duas queixas na polícia, dois pedidos de medida protetiva — que foram arquivados a pedido da vítima —, além do divórcio litigioso. O basta só veio quando o irmão dela, o também cantor gospel Juninho Black, compartilhou um vídeo da agressão gravado por uma frequentadora do Americas Shopping Recreio, onde aconteceu o episódio.

— Está tudo bem dolorido. Têm dias que estou melhor, outros não. Foram muitas coisas. Essa agressão do shopping só o empurrão e o puxão, mas só eu sei o que passava dentro de casa. Ele sempre me ameaçou, dizia que iria me matar, que iria me jogar da sacada, que tinha coragem para isso. Já me ameaçou com uma arma diversas vezes e até tentou me estrangular em uma das brigas que tivemos — diz a cantora, que desabafa:

— Hoje, eu me arrependo de tudo. É duro falar, mas eu tinha e ainda tenho um sentimento por ele, aquele que rasga por dentro. Mas hoje vocês viram esse vídeo, mas poderia ser um vídeo do meu óbito, de eu caindo da janela ou de ele me jogando da sacada.


A agressão do último sábado aconteceu porque Bruno não encontrou um achocolatado que procurava. Mesmo irritado, ele foi assistir a um filme no cinema com a cantora, mas passou a reclamar da roupa que ela vestia, das fotos que fez, até que ela o questionou. Foi nesse momento que as agressões aconteceram. Após a queixa, o marido tentou falar com a mulher na terça-feira, dia 24, e a ameaçou novamente.

— Ele começou a gritar, e eu fiquei com vergonha. Ele me empurrou e eu travei. Mas na hora eu pensei: "Chega! Cansei dessa vida". Estava exausta, e vi que ali, em um lugar público, seria o empurrão que eu precisava para acabar com tudo. Eu perdi a guarda do meu filho mais novo por causa dele. Meu filho viu ele me agredindo e dizia que "ele era mal e que tinha medo". Mas é complexo... Hoje tem a ferramenta, que são os vídeos, que provam tudo — fala.



Quesia e Bruno se conheceram em agosto de 2019. Nesse período, ele já havia demonstrado que era um homem nervoso, de pavio curto e muito ciumento. No dia 10 de outubro do mesmo ano, o namoro virou casamento. Mas um dia depois do "dia mais feliz", o primeiro caso de agressão: ambos foram parar na delegacia, com ele enquadrado na Lei Maria da Penha. Três dias depois, ela entrou com uma pedido de medida protetiva, que foi concedida pela Justiça do Rio por 90 dias e que obrigava o agressor a ficar a 400 metros de distância dela. No entanto, após pedidos de desculpas, Quesia aceitou retirar a queixa e voltou para o marido.


A cantora gospel conta que o marido pegou uma arma emprestada com um amigo e chegou a apontá-la algumas vezes para ela, quando ela dizia que iria embora e se separar. Isso aconteceu quando moravam no conjunto habitacional Cohab, em Carapicuiba (SP). Durante as brigas, o marido chegava a quebrar os objetos em casa e até partir para a violência física. Quesia diz que "vivia um inferno diário", e que muitas discussões aconteciam porque ela não queria ter relações com o agressor com a mesma frequência que ele gostaria. Coagida, ela revela que foi forçada a ir para cama com ele.

— O meu inferno começava à noite e ia até a madrugada. Eu só rezava para acabar logo. Muitas das brigas aconteciam porque eu não queria ter relações sempre, mas ele não aceitava isso. Nem mesmo quando eu estava com cinta médica após uma cirurgia ele respeito. Já tive relações chorando, porque ele me obrigava. Ele usava a minha religião e dizia que "mulher não tem que negar — diz.

Com informações do site: Extra.Globo, Marjoriê Cristine