quinta-feira, 5 de novembro de 2020

"Meu ex me manteve em cárcere privado e tentou me matar na frente do meu filho", confira aqui! | UltimasNoticiasBrasil..com


"Meu ex me manteve em cárcere privado e tentou me matar na frente do meu filho", confira aqui! | UltimasNoticiasBrasil..com
“Fui casada por dez anos com meu primeiro marido e pai do meu único filho, Saymon, hoje com 8 anos. Nos divorciamos em março de 2018, após eu descobrir uma traição. Logo depois de terminar este relacionamento, deixei meu trabalho como costureira e meu filho e eu nos mudamos para Camargo, no Rio Grande do Sul, para morar na casa do meu irmão. Assim que consegui um emprego, aluguei um cantinho e fomos viver apenas Saymon e eu. Tudo ia muito bem. Eu estava me reestruturando até que, em 11 de junho de 2018, conheci um cara por meio de amigos. No começo, ele era um doce de pessoa e fazia de tudo para me agradar: de tudo mesmo, até eu admirava! Passado um mês do início do namoro, ele começou a demonstrar um pouco de ciúmes, o que relevei. Achei que era até bonitinho e fofo. Não percebi aonde esse ciúme poderia chegar. Achei normal e me senti valorizada por vê-lo se importando comigo. Namoramos por três meses e, no auge da paixão, ele insistiu para morarmos juntos. Mesmo percebendo que o ciúme só aumentava, me deixei levar e acabei indo viver na casa dele com Saymon –que meu namorado tratava muito bem, até então. 

Com o passar dos meses, o que mais temia aconteceu. O ciúme dele foi ficando cada vez pior e excessivo. O cara me fez sair do trabalho como costureira, começou a criticar as roupas que eu usava, controlar minhas amizades e até com quem eu falava no telefone. Até a atenção que eu dava ao meu filho era questionada. Ele reclamava de tudo e passou a controlar os lugares que eu frequentava e até com quem eu conversava. Não sei como me deixei levar, mas, quando cai em mim, já estava naquela situação: amedrontada, coagida e com medo das suas atitudes tóxicas, repentinas e violentas. Se eu fosse à casa das minhas irmãs era um problema e ele logo ia atrás para ver quem mais estava lá. Pura insegurança e imaturidade. Já não podia mais me arrumar, fazer as unhas, passar batom nem sair sem ele. A situação só piorava. 

Mesmo quando saíamos juntos, eu não podia olhar para os lados nem para ninguém ao redor. Era um martírio! Tudo era motivo de briga. E eu ainda me culpava por tudo o que estava passando. Minhas irmãs tentaram me alertar e abrir meus olhos, mas eu parecia estar cega! Na minha cabeça, ele sempre tinha razão, mesmo sabendo que não era certo o que estava acontecendo com a nossa relação. Hoje, vejo que a paixão é pior que qualquer droga! Ela ‘venda nossos olhos’ e nos deixa boba e sem atitude. Eu me deixava dominar de tal forma que nem sei explicar. Quando percebi, estava fazendo tudo o que ele queria. Foi então que começaram as agressões físicas e verbais. Tentei por várias vezes me separar, mas ele, persuasivo que só, sempre me convencia a ficar e lhe dar uma nova chance. 
 
Ele trabalhava durante à noite e só voltava para casa pela manhã. Ao chegar, constrangia meu filho, perguntando se tinha alguém em casa comigo ou se alguém tinha passado por lá em sua ausência. Isso se repetia todos os dias. Era um sofrimento, uma humilhação para o meu menino e para mim. Ele sempre alegava que eu o traía quando ele não estava por perto. Hoje, percebo que ele tem um distúrbio psicológico. O amor que eu sentia por ele logo se transformou num pesadelo: passei a ter nojo e muito medo. Mesmo não saindo de casa nem para visitar minhas irmãs –nem ir ao supermercado ou padaria!–, ele desconfiava de mim. Tudo invenção de sua mente doente. Eu não podia usar nenhuma roupa justa pois se tornava motivo para ele me humilhar e querer me agredir! 
 
Em agosto deste ano, farta de tudo isso, resolvi me separar e ir embora com meu filho para a cidade de Guaporé, interior do Rio Grande do Sul, onde moro atualmente e onde morávamos antes de conhecê-lo. Fui embora sem olhar para trás nem sentir saudades. Logo, comecei a trabalhar na mesma fábrica de lingeries onde atuava antes. Mas só fiquei uma semana neste emprego, pois, todos os dias, tanto ele quanto a mãe dele me ligavam sem parar, insistindo para que eu voltasse para casa, dizendo que ele iria mudar, que seria diferente, que ele sempre me amou... Nessa época, ele havia sido transferido de trabalho para uma outra cidade, bem ao lado de onde eu estava e, por pura vergonha de me abrir ou de falar às pessoas sobre o que estava acontecendo, pedi demissão novamente do meu trabalho e voltei para ele. Recaídas acontecem! É fogo! É o que eu sempre digo: a paixão é igual a uma dependência química. Acreditei que ele iria mudar, que iríamos morar numa cidade nova, que teríamos uma vida nova e que seria diferente. E, mais uma vez, peguei meu filho e voltei.
 
Na primeira semana, foi tudo lindo e maravilhoso! Parecia um conto de fadas! Ele se comportou superbem, como no início da nossa relação. Um verdadeiro príncipe. Mas, aos poucos, foi mudando de novo, se tornando cada vez mais agressivo, me tratando com palavreado chulo e de baixo nível. Dessa vez, ele mudou para muito pior. E o meu medo só aumentava. Precisava proteger a mim e ao meu filho. Nós estávamos morando em um apartamento, e eu não podia nem ir até a varanda, pois ele ficava louco e falava que eu estava ali me oferecendo para alguém na rua. Ele começou a ficar ainda mais violento e irritado, e, para não irritá-lo, eu só ficava dentro de casa. Eu saía apenas com ele e, sozinha (algo bem raro), somente com sua autorização, como se ele fosse meu dono. Quando ele ia para o trabalho, levava as chaves de casa e deixava meu filho e eu trancados. Seu maior medo era eu me separar novamente. Ele sempre saía às duas horas da tarde e voltava meia-noite para casa. Durante esse tempo todo, o apartamento permanecia trancado e nós lá dentro, acuados e com medo. Quando eu pedia a chave ou falava para não levá-la, ele me dizia que eu queria ficar com a chave porque, certamente, tinha outro macho. Foi um sofrimento só. E se eu ou meu filho passássemos mal ali dentro, como sairíamos? Passei um mês vivendo nesse apartamento sem poder sair sozinha, sem contato com minha família nem ninguém por causa das paranoias deste homem. Quase enlouqueci.
 
Até que um dia, fui até a varanda e pedi ajuda à vizinha do lado. Inventei que tinha perdido a chave de casa e que não estava a encontrando. Pedi que ela fosse até o dono do imóvel, que morava perto, e perguntasse se ele tinha uma chave reserva para me emprestar. O dono prontamente me levou uma cópia da chave, e eu a escondi. Mas meu marido descobriu que eu tinha pedido uma cópia da chave e enlouqueceu: me xingou de todos os nomes possíveis e imagináveis dizendo, aos berros, que eu era amante do dono do imóvel e que, por isso, ele havia me dado uma cópia da chave. Era cada loucura descabida que ele inventava! E todas as agressões e discussões aconteciam na frente do meu filho, uma criança de 8 anos, que já estava desenvolvendo síndrome do pânico devido por acompanhar o sofrimento da mãe. Ele só me pedia: ‘mamãe vamos embora daqui’! 
 
Essa foi nossa última discussão e meu marido partiu com tudo pra cima de mim, dizendo que iria me matar. Pegou meu pescoço e tentou me enforcar várias vezes, até que eu fiquei sem ar e desmaiei. Vi a morte de perto! Choro até hoje só de lembrar. Ele já tinha me agredido outras vezes, mas, dessa vez, achei mesmo que iria morrer. Nesse mesmo dia, ele também destruiu o meu celular, pisando no aparelho. Naquela noite, toda marcada, ferida, machucada e ainda com falta de ar, me agarrei ao meu filho e não preguei o olho nem um segundo: só pensava numa estratégia para fugir dali em segurança com o meu filho. E ele continuou me perturbando e xingando a madrugada inteira, dizendo que iria matar a mim e ao meu filho se eu o deixasse. Ele só parou e se acalmou um pouco porque lhe disse que a gente iria ficar junto e que não registraria queixa na delegacia contra ele.

Quando amanheceu daquela noite de horrores que parecia não mais terminar, disse a ele que iria buscar o resto das minhas coisas que estavam na cidade onde eu morava e que a gente continuaria juntos. Menti para ver se me livrava dele e daquela situação. Estava tão abalada, desesperada, sem saber o que fazer da vida e com medo de morrer, que sai de fininho de casa, só com a roupa do corpo e meu filho no colo, peguei um táxi e fui direto para Guaporé. Chegando lá, pedi ajuda a minha antiga patroa, Neura Trevisol, que é uma mulher superbem resolvida, caridosa e empoderada! Ela me acolheu em sua cas. Contei a ela tudo que havia acontecido, ela conversou muito comigo, me aconselhou, me acalmou e me deu colo. A princípio, não queria ir à delegacia prestar queixa pois estava com medo! Mas dona Neura me incentivou e me convenceu a ir e acabar logo com esse martírio. Esse cara precisava pagar por tudo que me fez. Ele tentou me matar. Ela me pegou pela mão e foi comigo até a delegacia mais próxima. Muito mais que uma patroa, Neura é uma mãezona. Registrei queixa e agora o safado não pode ter nenhum tipo de contato comigo. Tenho uma medida protetiva e espero que ele fique bem longe de mim e do meu filho.

Depois de um mês na casa de dona Neura, ela me deu o meu emprego de volta como costureira em sua fábrica de lingeries e me ajudou a alugar uma casa, pagando dois meses de aluguel adiantado, já que eu não tinha nenhum real no bolso. Saí dessa relação doentia com a roupa do corpo. Dona Neura me ajudou a comprar os móveis, eletrodomésticos, me deu um celular para eu me comunicar com a minha família, devolveu minha vida e minha dignidade. Viverei uma vida inteira e não terei como agradecê-la por tanto! 

Sigo me recuperando aos poucos, curando todas as minhas feridas e cuidando das cicatrizes no corpo e na alma! Meu filho também está mais calmo e agora parece ser outra criança. Está feliz, sorri à toa! Antes era só choro e desespero, coitado. Moramos somente eu e ele, e espero que seja assim por muito tempo, pois estou realmente convencida de que não há mais volta. Estou focada no trabalho como costureira, em meu bem-estar e em dar a melhor criação e educação para o meu filho. E também em curar todos os nossos traumas e feridas dessa relação tóxica que tanto me fez mal!”