sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Professora diz a alunos que 'muitas vezes, mulher é culpada por estupro', confira aqui! | UltimasNoticiasBrasil..com


Professora diz a alunos que 'muitas vezes, mulher é culpada por estupro', confira aqui! | UltimasNoticiasBrasil..com



Um vídeo mostra um trecho da aula virtual em que a professora de um colégio adventista afirma que "muitas vezes a mulher é realmente culpada de um estupro". A escola, que fica em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, informou que a docente foi afastada de suas funções.

A aula foi ministrada para o 8º ano do ensino fundamental na última quinta-feira (4) e provocou polêmica e revolta nas redes sociais.

Tentamos localizar a professora, mas não conseguimos contato até a última atualização desta reportagem.

A declaração foi dada quando alunos debatiam temas sobre violência sexual com a professora. No vídeo, há a foto de uma mulher com a mão no rosto, onde está escrito "Não" - imagem que tem sido usada em campanhas de conscientização contra abusos. Em determinado momento, a professora atribuiu a culpa de alguns estupros às vítimas.

"Muitas vezes a mulher é realmente culpada de um estupro, de alguma coisa nesse sentido. Por que a mulher tem que ficar provocando os coitadinhos dos homens?", questiona.

O Colégio Adventista do Instituto Adventista Brasil Central (IABC) emitiu uma nota sobre a fala da professora durante a aula. A direção informou que não compactua com qualquer opinião de cunho pessoal de seus funcionários que atribua à vítima culpa por ação criminosa (leia a íntegra ao final do texto).

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) repudiou as colocações. Presidente da Comissão da Mulher Advogada de Anápolis, Tatiane Ferreira da Silva, disse que não há justificativa para o estupro.

"Nada justifica o estupro. O estupro não é a vontade da vítima. 'Vou sair de roupa curta hoje para ser estuprada'. O estupro vem do homem, porque é o dolo", afirma.

'Não se vestiu decentemente'

Durante a aula, a professora também questiona a forma como algumas mulheres se vestem, alegando que algumas delas andam "peladas na rua, chamando atenção dos homens".

"Você pode colocar um shortinho na praia, um biquíni na praia. Agora você vai andar pelada na rua, chamando atenção dos homens? Se o homem olha, você ainda vai falar: 'É um tarado’. Lógico, ele é homem, o homem tem testosterona, que é o hormônio masculino", disse.

Ainda sobre o vestuário feminino, a docente argumenta que algumas mulheres não se vestem "decentemente", aconselhando o uso de roupas mais "compridinhas".




"Por que que ela não se vestiu decentemente? Por que não colocou um short? Já que quer ficar de short, andar de short na rua, bote um shortinho mais compridinho, não tão provocante e mostrando um pedaço do bumbum. Gente, eu estou certa ou estou errada? Fala sério, meninos", diz a professora.

Em 2012, o colégio esteve envolto em outra polêmica. Uma estudante entrou na Justiça após ser expulsa, alegando que teria sido vítima de homofobia, por namorar uma colega. Na ocasião, a escola negou as acusações de homofobia e alegou que a jovem foi expulsa porque manteve relações sexuais com a namorada.

Nota do IABC

O Instituto Adventista Brasil Central (IABC) não compactua com qualquer opinião de cunho pessoal de seus funcionários que atribua à vítima culpa por ação criminosa. A instituição reforça, ainda, que todo ato de violência física, verbal e/ou sexual deve ser punido nos termos da legislação brasileira, e lamenta profundamente o ocorrido na manhã desta quarta-feira, 4, em uma das salas de aula do colégio. As medidas necessárias já foram tomadas e a funcionária em questão foi afastada de suas funções.

fonte: portalcbn