domingo, 22 de novembro de 2020

VÍDEO: Dentro da cadeia, chefe de facção planejava mortes e outros crimes


 
Policiais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão. Na foto, momento em que entraram em uma casa onde os investigados ficavam

As investigações da Polícia Civil de Restinga Sêca sobre a guerra de facções que culminaram com a prisão de 23 pessoas em 45 dias seguem em andamento. As operações para efetuar as prisões e  mandados de busca e apreensão buscam apurar a autoria de crimes como ameaças, lesão corporal, tentativa de homicídio, homicídios e tráfico de drogas. Um dos líderes de uma das facções que morava em Restinga Sêca está preso na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC) e de lá, comandava o grupo criminoso e ordenava a morte de integrantes rivais. 

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TRÊS OPERAÇÕES EM DOIS MESES
Em outubro, duas operações foram realizadas também para combater as disputas por pontos de tráfico de drogas na cidadde . A primeira foi realizada no dia 22, quando cinco investigados foram presos preventivamente por envolvimento em execuções na cidade.

A segunda operação aconteceu cinco dias depois, quando outros três suspeitos de integrar as facções foram presos. A terceira operação, denominada de "Opressores" foi desencadeada na manhã de sexta-feira, com a participação de policiais civis de outras cidades e do Canil do 2º Batalhão de Polícia de Choque 2ºBPChoque para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. Nesta última, cinco pessoas foram presas. 

Depois três operações e cerca de dois anos de investigações, os policiais conseguiram provas de pessoas relacionadas aos dois grupos na cidade e envolvimento em crimes.  As gravações de áudio de um integrante de um dos grupos com o líder, que está preso, é uma dessas provas (veja no vídeo). Nas gravações feitas entre os dias primeiro e quatro de novembro deste ano, os dois falam sobre execução de rivais, além de planejar incêndios em pontos de tráfico de queriam de concorrentes.

"Tu tava com pena eu acho, só pode. Tu tem que ficar parado num lugar que ela vai num lugar aí né, meu. Senão tu desce do carro e vai caminhando, tu vai chegar até ela e tu pega ela" diz o líder em uma conversa onde planeja a execução de uma mulher. Na sequência, ele ordena outras práticas criminosas e reclama que a mulher, alvo do grupo, não foi assassinada. "O meu, a mulher que tu ia matar foi presa meu. Vamos botar fogo na cidade aí mano" finaliza.

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Pouco depois da troca de mensagens sobre "tocar fogo com um litro de gasolina", um dos envolvidos na conversa, junto de um comparsa,  atearam fogo em uma casa na Rua Deoclécio Pereira, na Vila Felin. Segundo as investigações, o crime teria sido motivado porque a dona da casa teria se negado a traficar para a facção. A guerra entre os grupos criminosos já somou pelo menos sete mortes na cidade. Entre elas, um triplo homicídio.



Cronologia dos crimes

23 de julho de 2018 - Glaucia Helena, 35 anos, foi morta a tiros em Restinga Sêca

29 de setembro de 2018 - Claudio Abreu, 47 anos, Drieli Rodrigues, 24, e Maikel Dias, 34, foram executados no centro Restinga Sêca. Uma quarta pessoa, que seria o alvo, foi baleada e ficou ferida. Os três foram mortos por testemunharem o crime. 

19 de julho de 2020 - Larissa Bilhão, 21 anos, foi encontrada morta e enterrada em Viamão, na Região Metropolitana. Ela era de Restinga Sêca e a viagem para outra cidade fazia parte do plano de execução da jovem 

20 de julho de 2020 - Gerson Penteado, 52 anos, morreu após ser baleado Vila Iberê Camargo em Restinga Sêca

6 de setembro de 2020 - João Vitor Mello, 19 anos - assassinado a tiros na Vila Felin em Restinga Sêca

POR QUE AS FACÇÕES ESTÃO PRESENTES EM RESTINGA SÊCA? 
Uma das coisas que intrigou a Polícia Civil durante as investigações foi o porquê as facções escolheram Restinga Sêca para se instalar. Em uma cidade pequena, com cerca de 15 mil habitantes, não é difícil notar a presença de veículos com placas de fora e pessoas que não são conhecidas. Foi aí que a Polícia Civil e a Brigada Militar começaram a perceber a presença dos suspeitos. Após algumas investigações, ficou claro o motivo da escolha da cidade para a delegada Elizabete Shimomura, titular da delegacia de Restinga Sêca:

- Alguns fatores foram determinantes, mas o principal é o fato de que dois indivíduos que lideram essas facções possuem parentesco nesta cidade. Existem outros motivos, como o contato de presidiários da cidade que acabaram se envolvendo com os demais. 

INQUÉRITOS
As prisões da operação mais recente é uma das respostas da Polícia Civil nas ações para frear o tráfico e outros crimes relacionados com as disputas. As investigações ainda continuam. Após a operação, todos os presos prestaram depoimento na delegacia. Parte dos policias que reforçou o efetivo para a realização da operação, também ajudou nas oitivas dos presos.

- Temos alguns inquéritos em andamento. Dos homicídios que ainda estão em investigação, temos inquéritos de tráfico de entorpecentes. Temos inquéritos de incêndio que foram uma forma de retaliação.(...) A gente sabe que a criminalidade é dinâmica. Não significa que com essas prisões elas vão para, vão cessar totalmente, mas eu creio que vamos restabelecer a calma aqui na cidade - diz a delegada.

Com informações do site: bei