segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Entenda se quem teve sintoma leve de Covid pode ter reinfecção grave


 

Uma pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sobre casos de reinfecção pela Covid-19, constatou que uma segunda incidência da doença pode vir em forma mais grave do que a primeira. O estudo apontou que a memória para a resposta do sistema imunológico ao coronavírus, que impediria uma nova infecção, pode não acontecer em casos brandos. 

De acordo com microdados do Painel Covid-19, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mais de 16 mil pessoas no Espírito Santo tiveram o exame PCR positivo sem que tivessem apresentado qualquer sintoma. Das pessoas consideradas infectadas em algum momento, mais de 49 mil foram consideradas assintomáticas.

Especialistas diz que para entender se uma reinfecção nestes casos seria, necessariamente, acompanhada de sintomas e com chances de maior gravidade que a primeira contaminação.

De acordo com o médico infectologista Lauro Ferreira Pinto, o estudo da Fiocruz mostra algo que já vinha sendo relatado cientificamente, já que há pesquisas semelhantes acontecendo em outros locais do mundo.
 
"Existe um estudo publicado pelo grupo de Oxford no dia 23 no New England Journal of Medicine, que é a mais importante revista médica americana, em que foram acompanhados 12 mil profissionais de saúde por um período de 6 meses. A pesquisa mostrou algumas coisas e uma delas é positiva: a reinfecção não é comum e é importante falar isso para não apavorar as pessoas", destacou.
Apesar de incomum, outro fato é que a reinfecção de fato existe. "Ela pode ser mais branda ou mais grave. Há casos mais brandos de reinfecção, como o caso mais clássico de uma pessoa que chegou no aeroporto de Seul, na Coréia do Sul, e já tinha tido coronavírus no passado. O teste do aeroporto mostrou que ela estava infectada novamente e não tinha sintoma nenhum. Mas há casos mais graves e tem caso, pelo menos um, de reinfecção que levou à morte, no caso de alguém que tinha uma deficiência imune grave e faleceu".

 Para o especialista, o trabalho da Fiocruz ressalta que pessoas que tiveram casos mais leves estão mais sujeitas à reinfecção, assim como também demonstrou o estudo de Oxford.
"O teste de anticorpos, como o que é feito pela Abbott, parece mostrar algum grau de proteção. O que o grupo de Oxford mostrou é que as pessoas que têm anticorpos em níveis bons no sangue, mais dificilmente serão reinfectadas, apesar de não ser impossível. Mas isso é mais comum quando os anticorpos desaparecem. Apesar disso, o risco parece ser maior nos que tiveram casos mais leves e que os anticorpos desapareceram mais rapidamente", ponderou.

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