sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Por que grávidas precisam ir ao dentista?


 

Quando o teste de gravidez sinaliza que há um bebê a caminho, a agenda da mulher logo fica recheada de afazeres: preparar o enxoval do pequeno, procurar um obstetra de confiança, marcar os primeiros exames de sangue e de urina para verificar o estado geral de saúde, e por aí vai.

O que poucas pessoas pensam em adicionar à listinha é a visita ao dentista, que costuma se tornar uma preocupação apenas quando a gestante já tem algum problema de saúde bucal e precisa manter um acompanhamento frequente.

Mas assim como a grávida se consulta periodicamente com o seu médico ginecologista antes do nascimento do filho, é importantíssimo que seja feito também um pré-natal odontológico – se possível, ainda quando os pais estiverem planejando engravidar, como relata a odontologista Dra. Daniela Yano.
 
“O ideal é fazê-lo antes mesmo da gestação, para manter a boca saudável e evitar a necessidade de um possível tratamento com anestesia. Afinal, em uma consulta de rotina, é possível descobrir uma cárie, um canal ou outro problema que exija intervenção”, explica.

“Essas consultas são uma ótima oportunidade para a mulher rever sua saúde”, reforça Dr. Gilberto Nagahama, ginecologista e obstetra do CEJAM. Segundo ele, praticamente todos os tratamentos odontológicos são seguros na gestação, quando utilizadas medicações adequadas. “O raio-x, por exemplo, tem uma quantidade tão pequena de radiação que não oferece risco para a gestante”, acrescenta.

Já durante a gravidez, além de verificar a higiene bucal da mãe, o profissional também conseguirá orientá-la sobre os cuidados que devem ser tomados com os dentes da criança, para evitar complicações neste comecinho de vida. 
 
Cuidado redobrado na gestação!
Você já deve ter escutado alguém dizendo que a gravidez “estraga” os dentes, né? Na verdade, não é bem assim. De acordo com a Dra. Daniela, o que de fato acontece é que algumas mudanças físicas e hormonais da gestação podem deixar a mulher mais suscetível a condições odontológicas, como cáries e sangramentos na gengiva.

“No início do processo, é comum a gestante passar mal, sentir enjoo ou vomitar com frequência. Isso faz com que o corpo produza mais secreção – o chamado suco gástrico – e ele volta para a boca, tornando o pH muito ácido. Consequentemente, o dente fica poroso e mais sensível a quebras e à instalação de uma cárie”, esclarece a especialista.

Além disso, algumas mulheres têm vontade de comer alimentos que antes não consumiam e, na hora da escovação, sentem-se enjoadas, não higienizando os dentes adequadamente. 
 
“Um último fator importante é que a gengiva está mais vascularizada durante a gravidez, o que faz com que inflame com mais facilidade – condição chamada gengivite gravídica. Assim,  em uma gestante que come e não escova os dentes, a placa bacteriana se forma com mais facilidade do que numa paciente que não está grávida”, adiciona a odontologista. 

Por isso, ela enfatiza que uma rotina de cuidados seja seguida, caprichando no fio dental e na escovação de três a quatro vezes por dia (sem esquecer de higienizar a língua também!). “Recomendo utilizar escovas com cabeça pequena – para evitar os enjoos – e cerdas macias, para conseguir alcançar todos os cantos da boca e massagear a gengiva”, indica.

Problemas bucais da mãe podem afetar a saúde do bebê?
Dependendo do grau da inflamação da gengiva, esta pode ser uma preocupação importante. Isso porque existe a possibilidade de que as bactérias da gengivite entrem na corrente sanguínea e cheguem ao útero, onde vão estimular a produção de um hormônio envolvido no parto prematuro. “O problema está de fato relacionado ao risco de parto prematuro e do bebê nascer com baixo peso”, alerta o obstetra.

Já as cáries podem ser incômodas e apresentar consequências a longo prazo para o organismo da mãe, mas não possuem relação direta com a saúde do pequeno. Em última instância, existe a chance de que um quadro de saúde bucal negativo diminua a imunidade da mulher, abrindo espaço para doenças que afetam o seu filho.

Qual o melhor período para realizar tratamentos bucais?
Mas e se for realmente necessário fazer algum procedimento durante os nove meses? Neste caso, a Dra. Daniela indica que seja realizado no segundo trimestre da gestação. “Porque no primeiro a grávida enjoa com facilidade e geralmente não consegue ficar por muito tempo com o algodão ou algum instrumento na boca. Já o finalzinho é ruim pelo incômodo da postura, ocasionado pelo peso da barriga”, afirma.

Na segunda fase, a barriga não está tão grande e o período de desconforto relacionado a enjoos já deve ter passado. Mas a odontologista enfatiza que é importante colocar na balança os riscos e benefícios de cada tratamento – se houver um dente do ciso para extrair que não está gerando dor no momento, por exemplo, o melhor é deixar para retirá-lo mais para frente.

Com informações do site: Portal R10, Bruna Sampaio