quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Vaginismo: “Evito relacionamentos por medo ”


 
Foto / reprodução
O vaginismo é uma das causas mais recorrentes das dificuldades na hora. As mulheres afetadas por esta condição costumam ter  contrações involuntárias nos músculos do assoalho pélvico, dificultando ou impossibilitando o ato. Estima-se que 5% da população feminina pode ser afetada com o problema.

Para compreender melhor o cotidiano de quem sofre com o vaginismo o iG Delas conversou com duas mulheres. Elas que contam como descobriram e convivem com o problema. Veja os depoimentos a seguir. 

“Evito relacionamentos por medo ”
Claudia descobriu que tinha vaginismo aos 21 anos. Depois de comentar as dores que sentia durante a relação com uma colega- que era afetada pelo mesmo problema - ela decidiu marcar uma consulta com o médico, onde recebeu o diagnóstico. 

“Me senti frustrada, achei que eu tinha porque coloquei na minha cabeça que tinha e que das próximas iria só relaxar mas mesmo assim as dores continuaram. Eu achava que eu que tinha colocado esse medo na minha cabeça”, relata. 

Depois que descobriu que tinha vaginismo, Claudia se fechou completamente, não apenas para as relações, mas também para as afetivas, por medo de ser julgada. “Eu comecei a ter vergonha depois que tentei conversa com um amigo meu e ele achar que era IST. Aí eu fico pensando que vou assustar a pessoa se falar. Nem com psicólogo que passava eu conseguia comentar, elas achavam que era só relaxar”, acrescenta. 

Cláudia só teve dois relacionamentos depois após o diagnóstico. Contudo, ela diz que continuou sentindo dores fortes durante a relação, a ponto de a chorar e ter que parar. “Das vezes que pratiquei o ato não fiz nada, tentei aguentar a dor pra ver se melhorava, até não aguentar mais e parar. Já terminei o namoro com alguém que amava pois tinha medo de doer e acontecer algo como ele não entender”, desabafa.

O medo era tanto, que Cláudia decidiu terminar o namoro, mesmo gostando do namorado, há três anos atrás. Depois disso, ela nunca mais se relacionou. “Eu terminei sem falar nada, só disse que não queria mais, tinha vergonha de contar. Eu tentei puxar assunto ano passado, mas travei na hora de explicar”, diz. 

Claudia diz que procurou tratamento psicológico, mas nada adiantava. Até que há  mais ou menos quatro semanas, ela encontrou uma médica que entendia o problema e está tentando ajudá-la.
“Passei numa médica que me entendeu e me mandou procurar um psicólogo especialista na situação e me passou guia para fisioterapia pélvica, comecei a uma semana então ainda não sei dizer se ajuda, mas espero que sim”. 

A advogada Ana Paula*, 25, passava pelos mesmos problemas que Claudia. Ela descobriu que tinha vaginismo aos 15 anos, quando teve a primeira relação e sentiu muita dor.
“Fui procurar na internet sobre e achei alguns artigos e me senti contemplada. Falei com a minha médica e ela me encaminhou  a uma especialista, que me diagnosticou oficialmente. Me senti feliz por saber que não estava doida e tinha uma explicação lógica e física pras minhas dores”, diz.

Ana Paula diz que começou a fazer tratamento com uma médica especializada em fisioterapia pélvica, mas precisou parar por conta do custo, o que fez com que ela adaptasse sua vida à essa condição. “Os momentos que consigo fazer o ato sem dor são raros. Sei que vai doer e evito".

Entretanto, mesmo considerando ter vaginismo algo, mas por outro lado, a advogada considera que esta condição a ajudou a abrir outras possibilidades que a maioria das pessoas não explora. Ela se considera ainda muito sortuda que todos os parceiros entenderem o problema e por não ter tido experiências ruins.

Por eu fazer eu fazer o ato com pouca frequência, meu parceiro e eu tivemos que nos ‘aprimorar’ em outras áreas. Eu dou a dica de usar muito lubrificante, pelo menos uma vez antes de partir para o ato, muita calma e paciência sua e do seu parceiro”, recomenda.

Fonte: IG