domingo, 10 de janeiro de 2021

Adolescente trans de 13 anos é morta após baterem


 

No mês que celebra o Dia da Visibilidade Trans, Keron Ravach se tornou a mais jovem trans assassinada no país.

Com 13 anos, a adolescente tímida, que fazia perfomances ao som de Anitta e Pabllo Vittar e que queria ser influenciadora digital, foi morta. O crime aconteceu na madrugada da última segunda-feira (4), no município de Camocim, no interior do Ceará.

De acordo com a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), os transfeminicídios estão acontecendo cada vez mais cedo. Em 2017, a vítima mais jovem tinha 17 anos; em 2018, 16 anos; em 2019 e 2020, 15 anos; e em 2021, 13 anos.

"Via nela uma florzinha, um botãozinho, que estava desabrochando, conhecendo a vida", lembra Ray Fontenele, 27, que era amigo de Keron.

Keron não se sentia bem com o corpo, tinha vergonha dos seios e ainda estava em fase de transição de gênero. Ganhou amigos e, com eles, aceitação. "Ela se aproximou por achar que éramos iguais a ela", conta Fontenele.

O cabelo grande escondia a timidez e a maquiagem, que pegava das tias e irmãs. Tentava disfarçar a tristeza pela perda da mãe, que morreu de aneurisma cerebral um ano antes. Keron foi morar com a tia logo depois. "Dos dez irmãos, apenas dois foram ao seu velório", lembra o amigo.

O agressor, que segundo a polícia tem 17 anos, foi apreendido 12 horas depois do crime.
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, após conclusão do caso, "descartou que o ato infracional tenha ocorrido em razão da orientação".

Com informações do site: Folha Press