quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Estudos apontam que coronavírus afeta sistema reprodutor masculino


 
Foto: Reprodução
Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) revelou que o coronavírus pode impactar a saúde reprodutiva e sexual masculina. A pesquisa foi feita com pacientes moderados e, também, infectados que morreram por complicações da Covid-19. Segundo o urologista e coordenador de Saúde do Homem no Instituto de Estudos Avançados da USP, Jorge Hallak, o trabalho mostrou que, além dos pulmões, o vírus mostra predileção pelo sistema reprodutivo masculino.
“Nesse contexto, nós observados nos pacientes internados com doença leve ou moderada, com até 45 anos de idade que não foram incubados, que houve uma diminuição moderada da qualidade espermática e, mais importante do que isso, nós observamos que houve uma queda do hormônio testosterona”, analisa Hallak.

O pesquisador aponta uma possível explicação para a descoberta.
“A diferença é que o testículo possui a ‘chave’ da porta para abrir. Ou seja, tem uma proteína que ativa esse receptor. Então, não basta ter o receptor e o vírus, aquela porta tem que ser aberta depois da fechadura destrancada. O testículo tem essa substância que ativa o receptor para a entrada do vírus na célula”, explica. A pesquisa mostrou ainda que o simples fato de ser homem já é um fator de risco quando o assunto é o coronavírus.
Isso porque, ao analisar a mortalidade no estado de São Paulo, foi constatado que, independentemente da idade, o número de mortes entre os homens é 49% maior do que entre as mulheres.

Em relação ao tratamento para os impactos gerados na saúde reprodutiva masculina, Jorge Hallak reforça a importância de um estilo de vida saudável para a recuperação do organismo e faz um importante alerta.
“A solução não é tratar com testosterona. É muito comum que as pessoas façam exame de sangue e, quando a testosterona está um pouco baixa, acha-se que o ideal é tomar testosterona. Então, um alerta vermelho: eu diria que é uma contraindicação, porque quando você dá um agente externo para um indivíduo que não tem doença pré-estabelecida, você inibe mais ainda a função testicular, você bloqueia o eixo hormonal podendo causar mais grau de lesão do que foi feito pelo coronavírus”.
Apesar do levantamento apontar alterações das funções dos espermatozoides de maneira moderada, ainda não existe evidência de que o vírus cause infertilidade para o homem. Os pesquisadores avaliaram também o potencial de transmissão do vírus através de relações sexuais. O estudo não evidenciou, de maneira significativa a presença do vírus no sêmem, mas novas análises ainda precisam ser concluídas.

Com informações do site: jovempan