sábado, 13 de fevereiro de 2021

“Dizia que eu ia gostar”, conta mulher que acusa enfermeiro de estupro


 
Foto: Reprodução
Um dia depois de receber alta do Hospital Regional de Campo Grande, a vendedora de 36 anos que denunciou enfermeiro por estupro ainda tenta se recuperar das sequelas que a covid-19 deixou. No entanto, segundo ela, se as dores da doença ainda causam desconforto, o abalo emocional depois de ser abusada na unidade de saúde é um dano irreparável. 

Com voz ainda cansada e fala pausada, a vítima lembra que os sintomas do novo coronavírus a levaram para o hospital no dia 1 de fevereiro.
Internada no último quarto do sétimo andar do prédio, a vítima conta que desde a entrada passou a ser olhada diferente pelo enfermeiro, uma das poucas pessoas com quem tinha contato.

Três dias depois de ser internada e já usando máscara de oxigênio, a vendedora lembra que se via cada vez mais debilitada e com sinais da doença mais fortes. Por isso, nem chegou a imaginar o que estaria por vir. “Ele entrou no quarto de madrugada. Estava com um vidro de óleo de girassol, vi as pétalas do desenho na embalagem”, afirma. 

Na parede da sala da casa onde mora com a mãe, a vítima ainda expõe um quadro com um girassol, flor que antes era a preferida, mas que agora, a leva direto para a lembrança do dia em que se viu paralisada de medo. “Nem quero mais ver porque me lembra tudo”, relata.

Sozinha e sem forças para pedir ajuda, a mulher conta que passou a ter o corpo tocado pelo enfermeiro. 

“Ele me alisava e me chamava de meu doce. Dizia que era bom no que fazia e que eu iria gostar. Eu tentei resistir, mas ele pedia pra eu não fazer barulho e colaborar. Me aterrorizou a noite toda até conseguir o que queria. Ele era sádico, se divertia com meu desespero”.

Depois de ser estuprada, já pela manhã, a vendedora não conseguiu esconder o comportamento estranho e acabou contando sobre o crime para a mãe, que denunciou o caso à polícia. 

Após tudo vir à tona, a mulher diz que teve de enfrentar o segundo abuso, ao se ver diante da obrigação de ter de legitimar a denúncia.

“Escutei médicos me perguntando se realmente tinha acontecido. Eu estava lúcida e as pessoas perguntavam se eu tinha certeza, se não estava sonhando. A assistente social do hospital foi grossa, perguntou o que eu queria que fizessem e até comentários pesados nas redes sociais eu tive que enfrentar”.

Já com o crime registrado na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o Hospital Regional afastou o enfermeiro e transferiu a vítima para o quarto andar da unidade, onde ela permaneceu em recuperação até terça-feira (9). 

Em casa, ela ainda se recupera das sequelas da covid-19 recebendo cuidados da mãe e  companhia da cadela Zaira. 

“Meu corpo ainda não processou, nunca imaginei que fosse passar por isso. Não sei como ele conseguiu ver sexualidade na maneira como eu estava no hospital.  

Três enfermeiras, que devem ser ouvidas pela polícia, disseram à paciente que viram o suspeito sair da área da UTI com comportamento estranho. "Não foi a primeira vez que ele fz isso", acredita.

Ao Campo Grande News, o HRMS já havia dito que não iria se manifestar a respeito. "Reiteramos que todos os casos de supostas infrações nos diversos campos, administrativo e assistencial, o HRMS pauta-se nos ditames éticos e legais vigentes para tomada de providências", disse em nota.

Já o COREN/MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul ) informou que solicitou acesso aos autos de investigação do caso às autoridades policiais e está trabalhando junto à equipe da unidade de saúde para apurar se o ato de fato foi praticado por profissional de enfermagem, para adoção das medidas cabíveis.

Com informações do site: Campo Grande News