domingo, 21 de fevereiro de 2021

Ex-garota de programa vê na igreja forma de tirar jovens dessa vida


 
Foto: Reprodução
Até o início da pandemia do novo coronavírus, Priscila dos Santos, 33 anos, era garota de programa, ganhava até R$ 1,5 mil por dia. E após conhecer a palavra de Deus, mudou radicalmente de vida, largou a profissão e começou a frequentar a igreja. Até ganhou um emprego de carteira assinada. Agora, a gari diz ter a meta de resgatar outras mulheres do mundo da prostituição.

 Priscila afirma  que tomou uma decisão polêmica, vista com preconceito por outras pessoas. "Comecei por influência de algumas amigas, via as meninas arrumadas, foi então que comecei ter o desejo, e mais por necessidade. Minha mãe, ela queria me ajudar, mas eu não aceitava", disse. Durante o tempo em que fazia programas, o lado financeiro sempre a impedia de abandonar o ofício. "Fui em busca de trabalho mas ninguém me dava.

 Em seguida engravidei, tinha que sustentar o meu filho, e mais uma vez recusei a ajuda da minha mãe", lembra ela quando ainda tinha 18 anos.
O desejo de mudar de vida era, segundo ela, conflito psicológico. Largar ou não a profissão que rendia tanto?

 Priscila fala que obteve uma resposta, segundo ela, por “um anjo amigo”, uma verdadeira amiga que à convidou para ir em um culto na igreja. "Cheguei a frequentar a igreja por cinco anos, fui batizada, mas infelizmente tive uma recaída e voltei a vida de antes", relata. A ex-garota de programa disse ainda que durante a pandemia, recebia o Auxílio Emergencial, o que lhe fez afastar um pouco da vida obscura.

 Priscila conta que lembrou mais uma vez do seu filho e da família. “Meu Deus, o que está acontecendo comigo, eu estudei, sou formada, tenho habilitação [A] e [B] e eu não consigo oportunidade nenhuma senhor. O que eu faço?", relata ela no qual pediu a Deus que fizesse um milagre em sua vida. "Esse auxílio do governo me ajudou muito, deixei de fazer programas e falei pra Deus, se ele fizesse um milagre em minha vida eu não voltaria nunca mais", disse.
Meses depois, foi convidada para trabalhar como gari e aceitou. Priscila diz que não tem vergonha do passado e que não se importa com as críticas.

 "As pessoas querem me julgar, mas eu não ligo. A sociedade não aceita bem quem fala a verdade, quem assume o que é sem medo de críticas. Estou fazendo isso porque escolhi mudar", explica. Entre os clientes, haviam muitos empresários e homens casados. "Eu escolhia meus clientes não por conta do que ele tinha ou se não tinha. Eu escolhia após uma conversa, ali eu analisava se ele era boa pessoa ou não, se me tratava bem. Quando eu tinha aquela segurança, eu ficava. Porque dinheiro não é tudo, tem pessoas que achava só porque pagava, tinha que humilhar, então pela minha segurança eu não ficava com qualquer um", declara.
Entre um programa e outro, ela conta que cobrava entre R$ 500 e R$ 1.000,00 por cada saída.

 "A maioria dos meus clientes me ajudavam, além de ficar comigo, eles me davam presentes e ajudava financeiramente", comenta. Em um dia produtivo, segundo ela, já chegou a realizar dez programas por dia. "Eu ganhava tanto dinheiro que já tive carro, moto, curtia, bebia, mas hoje não tenho mais nada disso, perdi tudo", desabafou. De acordo com Priscila, mesmo tendo tudo isso, ela não era feliz, e hoje ganhando pouco mais de R$ 36 por dia, ou seja, um salário mínimo por mês, ela adquiriu sua felicidade.

 "As pessoas me veem na rua sorrindo, cantando e alegre, elas me perguntam. 'Priscila, como você consegue ser tão feliz?
'. E hoje eu respondo, porque estou livre!", declara. Ainda sobre o "Mundo Obscuro", Priscila conta que chegou a morar em casa de prostituição e experimentar drogas. "Já morei em casa de prostituição e cheguei a experimentar maconha e cocaína, mas graças a Deus, não gostei, Deus não deixou eu gostar disso [drogas]", afirma. Sobre os desafios de manter-se afastada da prostituição, Priscila diz que vai ser uma luta diária.

 "Essa vida não é pra mim e pra ninguém, pra mulher nenhuma, entendeu. Isso não é futuro, a gente não é valorizada, porque os homens eles querem a gente por desejo.
'Ha porque é gostosa', por é bonita. Mas a mulher ela não só corpo, o bonito da pessoa está dentro dela, no caráter, na personalidade. A mulher tem que ser valorizada, e Deus tocou em mim e me mostrou que eu merceia um futuro melhor", afirma. Para o futuro, Priscila conta que pretende se fortalecer na religião para tirar outras mulheres da vida da prostituição e não tem vergonha dos eu novo emprego como gari. "Por enquanto eu estou me fortalecendo, conhecendo mais sobre Deus e adquirindo sabedoria. Sobre o meu trabalho, nossa estou muito feliz, hoje eu tenho paz no meu coração", explica.


Com informações do site: 97news