quinta-feira, 11 de março de 2021

Corpo de mulher esfaqueada, atropelada e morta pelo ex-companheiro é enterrado


 
Foto: Reprodução

Amigos e parentes se reuniram no velório municipal de Itaquaquecetuba, na manhã desta terça-feira (22), para se despedir de Bárbara Luana Campos de Jesus, de 29 anos. Ela foi esfaqueada, atropelada e morta pelo ex-companheiro, em Suzano, nesta segunda-feira (21).

Segundo a polícia, Bárbara foi a quarta vítima de Diego Wellington da Cunha, que já teve uma condenação em 2013 exatamente por agredir mulheres. "Primeiro registro de lesão corporal do autor contra mulheres foi feito em 2008, quando ele tinha apenas 18 anos. Essa foi a quarta vítima dele . E os crimes registrados foram basicamente por lesão corporal e ameaça", explica o delegado Carlos Eduardo Chrispim.

Câmeras de monitoramento registraram toda a ação desse crime covarde. As imagens mostram Bárbara sendo agredida, segundo a polícia, com uma faca no meio da rua. Ela ainda tenta fugir, pedir ajuda, mas o homem volta com o carro e atropela a vítima.

Em outro vídeo, feito com um celular, a mulher já está caída no chão. Na sequência o homem atira contra ela.

Segundo o delegado que investiga o caso, a família da vítima contou que ela estava sendo ameaçada e ia pedir uma medida protetiva, mas não deu tempo. "Ela tinha a intenção de procurar uma delegacia de polícia, levar o conhecimento dos fatos à autoridade policial e solicitar uma medida protetiva de urgência. Todavia pelo seu horário de trabalho, ela acabou infelizmente não conseguindo. Tudo começou quando a vítima fez uma postagem de uma foto em sua rede social e teve um comentário de um outro indivíduo com resposta dela que ele acabou não gostando. Aí ele começou a suspeitar que estava sendo traído. Foi a partir dai então que ele começou a ficar agressivo, foi sendo agressivo com a vítima até que ela não aguentou e decidiu terminar o relacionamento", finaliza Chrispim.

Auxílio para vitimas de violência

Rosana Pierucetti é advogada e atende mulheres vítimas de violência doméstica. Ela explica que é justamente o ciúme excessivo um dos primeiros sinais de um agressor. "É o controle das ações da mulher. Ele começa a controlar as ações. No início do relacionamento isso acaba sendo valorizado pela mulher que dá uma falsa impressão de valorização, de um sentimento muito forte pela mulher, um ciúme, é um dos primeiros sinais."

Por isso, procurar ajuda o quanto antes pode salvar vidas.
"Você não tem como avaliar o momento em que ele vai cometer uma agressão mais grave. Então, quando essa mulher sente que já estão falando para ela , já estão aconselhando ela que ela está em um relacionamento abusivo, ela já deve procurar uma ajuda especializada, alguém que faça esses atendimentos e trabalhe com mulheres", avalia Rosana.

O caso

Na segunda-feira, a vítima foi abordada pelo ex-companheiro na porta de casa, quando estava saindo para trabalhar em São Paulo. Bárbara foi colocada à força em um carro. Segundo a polícia, as agressões começaram dentro do veículo e a babá foi morta no bairro Miguel Badra.

"Segundo foi apurado pelas equipes, familiares vieram até o local e informaram que eles tinham um relacionamento recente e que há pouco haviam terminado", disse o tenente Leonardo Lima Ferreira que atendeu a ocorrência.

Diego Wellington da Cunha fugiu e foi preso em Itaquaquecetuba, a 11 quilômetros do local onde, segundo a polícia, matou Bárbara.

Ele foi levado para a cadeia de Mogi das Cruzes, onde ficará até passar pela audiência de custódia. Ele vai responder por feminicídio e pode pegar de 12 anos a 30 anos de prisão.

A ONG Recomeçar atende pelo telefone 99948-3695, que também é WhatsAPP. Denúncias também podem ser feitas ao 180.


Com informações do site: G1