sábado, 3 de abril de 2021

Mulher se torna escrava de uma família após ir visitar antiga patroa da mãe e ser sequestrada


 
Foto: Reprodução
“Era obrigada a limpar duas casas no mesmo terreno e a comer somente as sobras de comida, depois que todo mundo já tivesse terminado.”

Este é um dos trechos do depoimento de uma mulher que viveu 9 meses em condição análoga à escravidão em uma casa no bairro Guanandi, em Campo Grande. Natural de Mateus Leme, em Minas Gerais, a mulher de 34 anos foi resgatada após fugir. 

Há 9 dias, a mulher conseguiu escapar e pedir ajuda na rua. Ela afirma que se perdeu, mas que conseguiu ajuda de um casal, que a colocou no carro e a levou para uma igreja nas proximidades. No local, um policial militar que assistia a um culto levou a vítima para a Casa da Mulher Brasileira. 

“A mulher estava com a chave do portão, então saiu pedindo ajuda na noite de domingo e se perdeu, porque não conhece nada aqui. E é neste momento que eu queria ressaltar a ajuda de um casal, que a encontrou perdida na rua, precisando de ajuda. E [eles] tiveram a coragem de colocá-la no carro. Depois, o PM a trouxe até a Casa da Mulher Brasileira e lá ela passou por todo o nosso atendimento psicológico”.

Conforme a delegada, a vítima possui retardo mental, porém, consegue falar com clareza. “Ela disse que fazia 15 dias que estava aqui, ainda está sem noção do tempo.
Nós ligamos para a mãe dela e ela nos contou que já fazia 9 meses que ela não tinha notícias da filha. No depoimento, a mulher conta que foi visitar uma antiga patroa da mãe e de lá foi trazida a força para Campo Grande”, contou. 

Vítima disse que não teve opção
Ao chegar aqui na capital sul-mato-grossense, a mulher passou a conviver com a idosa, de cerca de 80 anos, além do neto e a esposa dele. Eles são, respectivamente, mãe e filho da ex-patroa da vítima, que mora em Minas Gerais. “A mulher disse que não teve opção, não teve escolha. E conversando com a mãe dela, por telefone, soube que a vítima foi passear na casa da ex-patroa da mãe, a qual ela trabalhou por quase 10 anos”, explicou. 

Pouco tempo depois, algum familiar apareceu na casa da mãe da vítima e, segundo a polícia, teria dito: “Olha, a fulana vai embora com a gente pra Campo Grande e eu vim buscar as roupas dela”. A mãe disse que “ficou sem entender” e achou que a filha realmente estivesse querendo ir embora, quando entregou as roupas dela. 

“A partir daí, a mãe não teve mais nenhum contato e a mulher falou que, ao chegar aqui, a primeira coisa que fizeram foi apagar todos os contatos do celular dela. Ela vivia em uma casa com o portão trancado e só saía com o neto.
Falou também que tinha que limpar as duas casas sem receber nenhum centavo, que não compravam roupas, nada, e ela só podia comer as sobras, além de ser xingada e mal tratada”, ressaltou. 

Segundo a polícia, também existe a suspeita de gravidez. “A mulher também está com a barriga grande, redonda, porém, ela negou abuso sexual e a delegada de Minas Gerais já a levou no médico para saber se está gestante ou não”, explicou. 

Até o momento, a Polícia Civil conseguiu identificar nome das suspeitas, mas, ainda não identificou o neto. “Nós fizemos 3 diligências, um delas com a vítima. Ela conseguiu lembrar o local onde fazia compras no mercado, local em que ela só para carregar as sacolas empurrando a bicicleta. Também me falou que a casa possui portão amarelo com lixeira de madeira. Eu fui até com o meu carro particular procurar essas características, porém, ainda não conseguimos identificar o local”, falou.

Com informações do site: Terra Brasil Notícias