sexta-feira, 2 de abril de 2021

País devastado pelo roubo: Filha denuncia Hospital Santa Rita de Alta Floresta MT que cobrou 110 mil reais por 5 dias em UTI para o Pai


 
Foto: Reprodução
Desesperadas por uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o pai com covid-19, Alexandra Aparecida Andrade tem buscado todos os hospitais na esperança de um leito e a reposta é sempre a mesma: não temos vaga. Até que ela encontrou espaço em uma unidade de saúde de Alta Floresta, município de Mato Grosso.

No entanto, a diária é de R$ 20 mil, quase 3 vezes mais que os outros. O “pacote” para garantir atendimento ao paciente custa R$ 110 mil.

Preocupada com o pai e indignada com o valor abusivo, a mulher denunciou ao  que o hospital cobra R$ 10 mil somente para “reservar” a vaga de UTI. Além disso, o hospital Santa Rita oferece 5 diárias para atendimento, que somam R$ 100 mil. O valor não é negociável e deve ser transferido para a conta da empresa no ato na internação.

“A gente não tem como arrumar esse dinheiro de uma hora para outra. Oferecemos depositar R$ 30 mil como um calção até acionar a Justiça ou conseguir o resto, mas não teve jeito. Eles não aceitam”, informou a filha.

O pai de Alexandra foi diagnosticado com o novo coronavírus na segunda-feira (29) e internado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Colíder (650 km ao Norte). Ele foi intubado na UPA porque não havia vaga no hospital regional da cidade. Como o quadro se agravou, ele foi removido para enfermaria do regional, assim que um paciente internado no local melhorou e trocou de lugar com ele na Upa.

“O estado dele é grave. A saturação está em 80% e os pulmões comprometidos. Procurei vaga em todos os hospitais da região e até em Manaus”, informou.

Alexandra conta que outros parentes precisvam de UTI e pagaram entre R$ 7 mil a R$ 8 mil a diária. Ela buscou esses hospitais de Colíder, Sorriso e Sinop, mas não achou leito. Até que buscou Alta Floresta e se deparou com os valores exorbitantes.

Em um áudio encaminhado pela denunciante ao , uma funcionária do hospital narra que “R$ 10 mil é pela reserva do leito. Não temos como segurar o leito até o paciente chegar. Daí a gente cobra esse valor. R$ 10 mil a gente pede um sinal para toda a logística do leito, os medicamentos que ele vai precisar. Esse R$ 100 mil fica como saldo que vai debitando todos os dias.
É R$ 20 mil por dia, que inclui material, medicação, horário médico, hemodiálise, fisioterapia, nutricionista, oxigênio. Tudo que for preciso para o tratamento dele”. Exames laboratoriais, de imagem e traqueostomia não são inclusos no valor.

Após 5 dias é cobrado novamente os R$ 100 mil para debitar diariamente. Caso a pessoa não tenha dinheiro para os outros dias, fica o débito pendente e o assunto é tratado com o jurídico do hospital. “A família tem que se organizar e pagar”, assevera a atendente. “Estou com 4 pacientes na fila de leitos, quem pagar primeiro fica com o leito”, informou.

“Esses R$ 10 mil é pela reserva do leito, eu não vou te devolver. Agora esses R$ 100 mil, se ele não vier eu vou te reembolsar”, descreve a servidora do hospital. Ela justifica que o alto valor é decorrente da dificuldade de logística de medicação ao interior e também manutenção de profissionais.

Alexandra relata que já acionou a Defensoria Pública, mas ainda não teve a decisão judicial para que o Estado arque com a internação do idoso.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que cumpre as decisões judiciais, mas não tem controle sobre os preços cobrados pelas unidades de saúde.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat) informou que cada unidade determina valores de acordo com seu custo.

O Hospital foi procurado, mas as ligações não foram atendidas.

HISTÓRICO

Em janeiro de 2020, o Hospital e Maternidade Santa Rita foi condenado a pagar R$ 50 mil a uma mulher que sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau enquanto estava em trabalho de parto. Durante o procedimento, a vítima esteva sob efeito de anestésicos e só percebeu os ferimentos quando acordou.

A condenação foi determinada pelo juiz Antônio Fábio Marquezini, da Sexta Vara Cível de Alta Floresta, em Mato Grosso, no último dia 16. Contudo, a decisão só foi disponibilizada no Diário de Justiça Eletrônico nesta quarta-feira (29).

Conforme a determinação, a vítima sofreu as queimaduras ao ser submetida a um aparelho massageador na perna, em dezembro de 2012. Sob efeito de medicação, a mulher só percebeu as lesões na panturrilha quando cessaram os efeitos dos remédios.

Ao questionar o hospital sobre os ferimentos, a mulher foi informada sobre qual era o tratamento necessário para as queimaduras. Contudo, os remédios que ajudariam na cicatrização foram subsidiados pela vítima.

Orientada pelo hospital, a mulher então deu início ao tratamento para se recuperar das lesões, o que lhe custou meses afastada do serviço. Diante da situação, a vítima alegou ter sido negligenciada pela equipe médica e acionou a Justiça.

Inicialmente, ela entrou com pedido de indenização por danos materiais, morais e estéticos. Contudo, um acordo foi feito entre a vítima e o hospital.
Conforme o compromisso firmado, a mulher seria submetida a uma cirurgia reparadora das lesões na unidade hospitalar.

A mulher foi submetida a um procedimento, mas o resultado não foi satisfatório e a ação na Justiça foi retomada, ocasião em que o magistrado julgou justa a petição da vítima e condenou o hospital.

“Em verdade, a prestação do serviço hospitalar por parte do Hospital, foi defeituosa, devido a falha não detectada no aparelho massageador pneumático, que foi a causadora da queimadura indelével na perna direita da autora na região da panturrilha”, narra trecho da denúncia.

Dessa forma, o hospital foi condenado a indenizar a paciente em R$ 50 mil, do qual 30 mil reais são referentes a danos morais enquanto 20 mil reais dizem respeito a danos estéticos.

Com informações do site: Momento MT