quinta-feira, 13 de maio de 2021

Brasileiro em Israel relata angústia e apreensão durante ataques aéreos


 
Foto: Reprodução
A tradicional partida de futebol de terça-feira à noite entre imigrantes brasileiros em Ra’anana, em Israel, já havia começado, quando, de repente, o alarme antiaéreo tocou: era o alerta para buscar abrigo imediatamente.

“Tudo aconteceu muito rápido, no meio do jogo. Já estávamos jogando havia meia hora. Quando tocou a sirene, corremos em direção ao salão de ginástica do clube, que fica no subsolo, designado como nosso abrigo oficial”, diz Uri Blankfeld, organizador da partida, que emigrou de São Paulo para Israel há cinco anos.

Seguiram-se momentos de angústia e apreensão.

“Foi uma situação muito inusitada e angustiante, pois não sabíamos o que ia acontecer”, lembra Blankfeld.

“Para muitos, foi a primeira vez que passaram por isso. Ficamos muito assustados, mas estamos bem”, acrescenta ele, falando em nome do grupo.

Às 3h, quando todos já haviam voltado para casa, a sirene, meio pelo qual o governo israelense alerta à população sobre situações de perigo iminente, tocou mais uma vez.

“Ouvimos barulhos de explosão, quando o escudo antimísseis intercepta os foguetes lançados pelo Hamas”, diz Blankfeld em alusão ao grupo extremista que governa a Faixa de Gaza.

“Tivemos que nos refugiar no quarto de segurança aqui em casa”, acrescenta a carioca Tatiana Fajngold, que também mora em Ra’anana. Ela é casada e tem um filho de 12 anos.

“Este cômodo tem uma estrutura reforçada de ferro fundido para nos proteger de ataque e estilhaços”, acrescenta.

Tatiana trabalha como psicóloga educacional na prefeitura de Hod Hasharon, cidade próxima Ra’anana. Ela fez um post no Facebook para dar dicas aos pais sobre como devem abordar com os filhos o estresse causado por situações como essas.

“Muitos brasileiros que vieram para cá não estão acostumados à essa realidade. E ficam muito nervosos. Achei importante escrever sobre esse assunto e ajudar os pais a tocar nessas questões com as crianças”, diz.

Localizada ao norte de Tel Aviv, Ra’anana é considerada a capital brasileira do país, com cerca de 300 famílias.

“Ainda não caiu a ficha. Parecia tudo um filme. Ficamos cerca de meia hora no quarto seguro especialmente reforçado para estas situações. Apesar de apavorados por dentro, a missão minha e da minha esposa era agir com tranquilidade e doçura com nossos filhos de 12 e 10 anos”, conta o carioca Marcus Gilban, jornalista e coodenador da comunidade de brasileiros, que emigrou com a família há quase 5 anos.

“Pela manhã, as escolas cancelaram aulas presenciais e usaram Zoom. Incrível a preparação dos professores para lidar com a situação. As crianças foram estimuladas a abrir o coração e colocar tudo para fora. Quando a professora da minha filha pediu para ela escolher entre quatro imagens a que mais representava o sentimento dela, ela escolheu um céu azul, a mais linda de todas. Foi quando eu e minha mulher tivemos a certeza de que fizemos um bom trabalho durante aquele momento tão assustador”, acrescenta ele.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o céu de Tel Aviv iluminado de madrugada pelas explosões das interceptações dos foguetes pelo Domo de Ferro, sistema de defesa antiaérea de Israel.

Em um conflito que mistura política e religião, civis, tanto israelenses quanto palestinos, pagam o preço em meio à escalada de tensão, alguns com a própria vida.

Segundo a imprensa local, pelo menos seis israelenses e 48 palestinos, incluindo 12 crianças, foram mortos até agora.

Do lado israelense, dois dos mortos, um pai e sua filha, Khalil e Nadine Awaad, eram árabes de um vilarejo em Lod, cidade na região central do país.

“Não temos para onde ir. Não temos um abrigo antibomba aqui para todos. Para os trabalhadores tailandeses, eles construíram abrigos, mas não nos foi permitido porque não somos humanos. Nadine e Khalil estavam no meio do café da manhã antes do jejum. Parece que ele abriu a porta e foi assim que foi atingido”, disse um parente ao jornal israelense Haaretz.

Os militares israelenses aumentaram a presença ao longo da fronteira. As autoridades pediram aos moradores que permanecessem em casa e perto dos abrigos antibomba até novo aviso. Conflitos violentos entre a polícia e os manifestantes se espalharam pelas cidades árabes dentro de Israel.

O Aeroporto Internacional de Israel, Ben Gurion, suspendeu todas as decolagens.

Depois de disparar foguetes desde segunda-feira à noite, uma torre residencial de 13 andares na Faixa de Gaza foi atingida por um ataque aéreo israelense na noite de terça-feira e logo depois desmoronou. O prédio era usado pela liderança política do Hamas, informaram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).

Com informações do site: Times Brasília