quarta-feira, 12 de maio de 2021

JOVEM QUE USOU SHORTS E BLUSINHA RECEBE CARTA ANÔNIMA PEDINDO PARA QUE USE ROUPAS ‘DECENTES’ NO PRÉDIO


 
Foto: Reprodução
Uma moradora de 22 anos do distrito de Iguatemi, em Maringá, procurou a polícia após um constrangimento que diz ter sentido em um condomínio residencial, na sexta-feira (7), ao encontrar uma carta debaixo de sua porta, em que um remetente anônimo pede para ela deixar de usar roupas curtas no espaço social do prédio.


Anexa ao Boletim de Ocorrências lavrado na 9ª Subdivisão Policial (SDP), em Maringá, nesta terça-feira (11), a carta pede “pudor e decência de usar roupas adequadas das dependências do condomínio… a senhora não está tendo o respeito usando roupa vulgar”, consta.

Ainda conforme a carta, o vizinho diz ter se sentido incomodado por ser “homem e pai de família”, afirmando ainda ter sentido vergonha de sair com a filha dele no espaço social do prédio. “Mude o jeito de se portar neste lugar ou vamos conversar com a dona do apartamento. Aqui não é zona, não”, ameaça, ainda, o autor da carta anônima.

Procura-se o autor da carta
A jovem se chama Ana Paula Benatti e diz fazer questão de denunciar esse tipo de “situação machista”, com o intuito de que abusos contra mulheres como estes “possam acabar um dia no País”.

“Eu não sei o dia exato que o tal vizinho me viu, mas os dias que eu saí, estava de short de tecido e blusinha de alça. Isso é algum crime?”, questiona ela, que trabalha como escriturária em um hospital de Maringá e se mudou recentemente para o condomínio residencial localizado no distrito de Iguatemi.

Depois do Boletim de Ocorrência, o noticiante precisa ir à delegacia para devido encaminhamento dos fatos. Ana Paula, que já tem um advogado, afirmou que deverá processar o responsável pelos crimes e as autoridades devem encontrar o autor da carta anônima, que poderá responder pelos crimes de assédio e injúria.

“Estou com medo de alguém fazer algo comigo [algo físico]. Fora isso, não mudarei meu jeito de ser, e também não vejo problemas em continuar ali. Se a pessoa está incomodada, ela que se mude. Continuarei agindo normal, sendo simpática como sempre fui”, relata a vítima, afirmando que não se mudará do condomínio onde mora atualmente.




Com informações do site: Ric Mais