terça-feira, 20 de julho de 2021

“Ele estragou minha vida”, diz vítima sobre padre acusado de estupro


 
(Foto: Reprodução)
Goiânia – “Ele estragou minha vida”. A frase vem do estudante de engenharia JVA, de 23 anos, e sintetiza seu sentimento em relação ao padre Ricardo Campos Parreiras, preso por suspeita de estupro na última quarta-feira (14/7) em Goiás.

O crime contra o jovem teria ocorrido em Nova Crixás, região norte do estado, em fevereiro de 2017. O motivo para a demora da denúncia, feita no final do ano passado, de acordo com a explicação do estudante, é atribuído, em parte, ao medo.

“Esse cara tem uma arma de fogo, meu pensamento era só esse”, disse o jovem sobre o momento em que teria sido assediado pelo religioso. As cenas de terror jamais se apagaram da memória do jovem.

A vítima vive no Rio de Janeiro e denunciou ao Ministério Público ter sido estuprada pelo religioso, quando participava de uma viagem missionária com o avô, no interior de Goiás.

O jovem decidiu fazer a denúncia em outubro de 2020, depois de um período de depressão e após tratamento psicológico. Além disso, relata que tinha medo da influência do padre e de sofrer violência, já que, dias antes do estupro, o religioso teria se gabado de ter uma arma de fogo.

“ELE ESTRAGOU MINHA VIDA DURANTE TRÊS ANOS E EU IMAGINO QUANTAS OUTRAS VIDAS NÃO ESTÃO SENDO ESTRAGADAS TAMBÉM”, DIZ JVA, QUE NA ÉPOCA DO CRIME TINHA 18 ANOS.

Estupro

A vítima conta que ficou hospedada cinco dias na casa do padre, dormindo em um quarto mais afastado. O religioso teria oferecido presentes e dinheiro ao jovem nos primeiros dias da estadia, o que deixou a vítima desconfiada.

Padre estupro Goiás

Padre Ricardo é recebido como novo pároco em Faina (GO) em 2018Diocese de Rubiataba-Mozarlândia.


Padre Ricardo Campos ParreirasReprodução: Facebook


Religioso foi preso preventivamente no dia 14/7, após investigação da Polícia Civil de GoiásFacebook

“EU TOMEI METADE DO SUCO DE UVA. NA HORA EU PENSEI: ‘SERÁ QUE ESSE CARA ESTÁ ME DOPANDO?’. SÓ QUE DEPOIS EU PENSEI: ‘DEVO ESTAR VIAJANDO, ESSE CARA É UM PADRE, NÃO É POSSÍVEL QUE ELE ESTÁ FAZENDO ISSO, MEU AVÔ ESTÁ DORMINDO AQUI AO LADO’”, RELEMBRA A VÍTIMA.

O estudante de engenharia relata que depois de ter tomado o suco, o religioso teria se aproximado dele e tentado tocar seu pênis por três vezes. O jovem então se afastou e foi para seu quarto dormir. No dia seguinte acordou molhado com um líquido gosmento e com dor no ânus.

Medo

A vítima lembra que sentia medo do religioso, enquanto era assediada por ele com toques e conversas de conotação. O padre teria contado que já tinha sido capelão da polícia e que tinha uma arma de fogo. O jovem diz que um dia chegou a ver a arma e dinheiro em uma gaveta aberta no quarto do pároco.

“POR DENTRO EU PENSAVA: ‘QUERO MATAR ESSE CARA, QUERO SAIR DAQUI’. MAS AO MESMO TEMPO, EU PENSAVA: ‘ESSE CARA TEM UMA ARMA”, DETALHA JVA.

O estudante de engenharia lembra que no começo ficou confuso e demorou um tempo para entender o que tinha acontecido. Inicialmente pensava que a dor no ânus poderia ser algum problema intestinal, mas que aos poucos foi compreendendo.

O jovem lembra que o padre foi até a porta do quarto e pediu para que ele a trancasse, pouco antes do abuso. Isso ajudou a deixar a situação ainda mais confusa. O jovem suspeita que o religioso tinha uma outra chave.

Nos primeiros dias após o crime, ficava desconfiado de todos e tinha medo de dormir com a luz apagada. Depois de um tempo começou a ter flashs do estupro que sofreu. Precisou da ajuda de um psicólogo, que produziu um laudo, anexado ao processo contra o religioso.

“FIQUEI IGUAL UM FETO NA CAMA SEM FAZER NADA, PERDI QUILOS PARA CARAMBA. TOMAVA BANHO DE TRÊS EM TRÊS DIAS. VOCÊ FICA UM LIXO. COMEÇA A DESCONFIAR DE TODO MUNDO”, DIZ A VÍTIMA.

Alívio

O padre Ricardo está preso preventivamente desde o último dia 14. A prisão foi feita após investigação da Polícia Civil de Goiás, que foi comunicada da denúncia pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

A vítima diz ter sentido felicidade e alívio quando ficou sabendo da prisão do religioso. O jovem diz que após ter tido coragem de contar sobre o estupro para sua família e para as autoridades, tinha medo de sofrer algum tipo de represália.

“EU NÃO CONSEGUIA DORMIR À NOITE. OUVIA UM BARULHO NO TETO DO TELHADO E ACHAVA QUE ERA ALGUÉM ENTRANDO PARA ME MATAR E MATAR O MEU AVÔ”, DESCREVE O ESTUDANTE DE ENGENHARIA.

O jovem diz acreditar que outras pessoas podem ter passado pela mesma situação e espera que elas também tenham coragem de denunciar.

Em contato com a Diocese de Miracema do Tocantins, da qual o religioso faz parte, mas não teve retorno das da entidade até às 16h desta segunda-feira (19/7).

A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPEGO) recebeu o processo contra o pároco nesta segunda, já que ele não apresentou advogado até o momento. O religioso segue preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Com informações do site: TIMES BRASILIA