sábado, 3 de julho de 2021

Exame de sangue consegue detectar 50 tipos de câncer


 
Foto: Reprodução
Um simples exame de sangue é capaz de identificar mais de 50 tipos de câncer, com grande precisão, antes mesmo que apareça qualquer sinal ou sintoma da doença. A identificação precoce da doença é considerada fundamental para o tratamento, aumentando de forma considerável as chances de cura.

O exame foi desenvolvido pela empresa americana Grail e está sendo testado pelo serviço de saúde da Inglaterra (NHS), que é considerado um dos mais eficientes do mundo. Inicialmente, ele é indicado para pessoas com maior risco de desenvolver câncer, em especial pacientes com 50 anos ou mais.

Usando inteligência artificial, o teste procura alterações químicas em fragmentos do código genético (DNA) que escapam dos tumores, mesmo que na fase bem inicial, para a corrente sanguínea. Mais especificamente, segundo os cientistas, ele se concentra nas alterações químicas desse DNA, conhecidas como padrões de metilação.

Alta precisão

O exame de sangue já vinha sendo testado nos últimos anos, mas os testes mais recentes, de acordo com os cientistas responsáveis, teve um nível de precisão “impressionantemente alto”. Na última testagem, os cientistas analisaram o desempenho do teste em 2.823 pessoas com a doença e 1.254 pessoas sem.

O exame identificou corretamente quando o câncer estava presente em 51,5% dos casos, em todos os estágios da doença. Já o percentual de erro para detectar o câncer foi de apenas 0,5% dos casos. Outro dado importante sobre o teste: a taxa de falsos positivos se mostrou muito baixa.

Em tumores sólidos que não têm opções de rastreamento – como câncer de esôfago, fígado e pâncreas – a capacidade de gerar um resultado de teste positivo foi duas vezes maior (65,6%) do que para tumores sólidos que têm opções de rastreamento, como mama, câncer de intestino, cervical e de próstata.

Os estudos mostraram que o exame é capaz de identificar muitos tipos de doenças que são difíceis de diagnosticar nos estágios iniciais, como câncer de cabeça e pescoço, ovário, de pâncreas, do esófago e alguns cânceres do sangue.

Falsos positivos baixo

Outra novidade desse exame de sangue: ele identificou corretamente o tecido em que o câncer estava localizado no corpo em 88,7% dos casos. Mais um elemento para ajudar a iniciar rapidamente o tratamento.

“Encontrar o câncer precocemente, quando o tratamento tem maior probabilidade de sucesso, é uma das oportunidades mais significativas que temos para reduzir o fardo do câncer”, explicou o cientista Eric Klein, um dos principais autores do estudo, que é também presidente do Glickman Urological and Kidney Institute da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos.

“Esses dados sugerem que, se usado junto com os testes de triagem existentes, o teste de detecção de múltiplos cânceres pode ter um impacto profundo em como detectar a doença e, em última análise, na saúde pública”, acrescentou dr. Eric Klein.

O diretor clinico para o câncer do sistema inglês de saúde (NHS), professor Peter Johnson, também celebra o novo teste. “O último estudo fornece mais evidências de que exames de sangue como este podem ajudar o NHS a cumprir sua ambiciosa meta de encontrar três quartos dos cânceres em um estágio inicial, quando eles apresentam o nível mais alto de chance de cura”, observa o professor.

Mais chances de cura

“Os dados são encorajadores e estamos trabalhando com o Graal em estudos para ver como esse teste funcionará nas clínicas de todo o NHS, que esperamos começará em breve”, acrescenta Peter Johnson

O médico Marco Gerlinger, do Institute of Cancer Research de Londres e médico oncologista da Royal Marsden NHS Foundation Trust, disse: “Este novo estudo mostra resultados impressionantes para um simples exame de sangue que pode detectar vários tipos de câncer.”

“O teste detectou até cânceres que eram muito pequenos, em um estágio em que muitos deles poderiam ser potencialmente curados”, acrescentou ainda dr. Gerlinger.

O serviço de saúde inglês (NHS) vai continuar os estudos com o exame de sangue. Até 2023, cerca de 140 mil pacientes terão feito o teste.

Com informações do site: R7