terça-feira, 27 de julho de 2021

Mãe é presa por obrigar filha de 9 anos a ter relações com ela e o marido em Minas Gerais



 

Foto: Reprodução
Por um áudio de WhatsApp, uma menina de apenas 9 anos implora ajuda à tia paterna para acabar com um pesadelo que vivia há quatro anos. A criança era abusada pela mãe e o padrasto, ambos de 39 anos, em uma casa de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Na gravação, a garotinha pede para que a parente não sinta nojo dela por causa dos estupros. O caso foi divulgado pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (2), e os suspeitos, que são surdos, já estão presos.

O crime começou a ser investigado no dia 19 de junho, um dia após a vítima encaminhar o áudio. A criança vive com o pai, também surdo, mas frequentemente passava os dias com a mãe, no bairro Jardim Vera Cruz. No imóvel, além do casal, vivia a irmã por parte de mãe da menina, uma outra criança de 2 anos. E foi justamente por medo da caçula ser estuprada que a mais velha resolveu denunciar. 

"Inicialmente, familiares da vítima nos procuraram na delegacia de Contagem contando que ela era abusada desde os 5 anos e tinha contado que era por parte da mãe e do padrasto. No áudio para a tia, a menina pedia para que acreditassem nela e que não a achassem nojenta. E a maior preocupação dela era com a irmã, o que poderia acontecer já que a vítima não mora com a mãe", explicou a delegada Mellina Clemente.
O casal está junto há seis anos e, em conversa com a uma investigadora, que também é psicóloga, a vítima deu detalhes de como os crimes aconteciam. A família mora em um imóvel de um quarto, em que todos dormiam próximos. Ao ser presa, a mãe negou o estupro e quis colocar a culpa em familiares paternos da criança. Já o padrasto deu detalhes do que acontecia na casa. Os depoimentos foram realizados com a ajuda de um intérprete de libras da Associação de Surdos de Contagem.

"A mãe praticava diretamente os abusos, masturbava a criança e incentivava o companheiro a praticar os atos. Eles também mantinham relações com a criança. Foi uma das oitivas mais difíceis de se fazer até mesmo pelo que o padrasto relatava. O intérprete tem muita experiência em libras, a gente fazia a pergunta para ele, ele reportava para os investigados e depois nos dava a resposta", detalhou a policial.

Padrasto achava atitude "normal"

Ainda conforme a polícia, mesmo contando o que fazia com a criança, o homem considerava a atitude "normal" alegando que não teve conjunção carnal. Por esse motivo, para ele, não haveria crime. A menina passou por exames periciais que confirmaram o rompimento do hímem. O rompimento pode ter acontecido por penetração digital.

Na casa da família foram apreendidos equipamentos eletrônicos e materiais pornográficos adulto. Em um dos celulares, a polícia localizou várias fotos da menina de 2 anos tomando banho. No entanto, o preso negou que tenha abusado da própria filha. 
O Conselho Tutelar acompanha o caso.

Abalo psicológico e coação da mãe

Já na conversa com a psicóloga, a menina demonstrou ter um abalo emocional. "A gente faz o procedimento de escuta especializada até para diminuir a possível revitimização da criança que é vítima de abuso . Deixamos a vontade para falar no tempo dela, e foi observado que existia uma coação por parte dos autores, principalmente por parte da mãe. Ela falava para filha que, se contasse para alguém dos abusos , se mataria, deixaria de ser mãe dela, deixaria de amá-la. Isso provoca na criança uma confusão de sentimentos. Ela não quer perder o amor da mãe, mas ao mesmo tempo é uma agressora", explicou a psicóloga e investigadora Roberta Rodrigues.

A menina foi encaminhada ao acompanhamento psicológico para receber atendimento. "Cada ser humano reage de uma maneira. O que a gente faz é para diminuir o impacto também na vida adulta. A gente não pode frear e garantir que isso não vá acontecer. Em casos de crimes contra crianças e adolescentes, a tendência é ter dificuldade de relacionamentos, falta de confiança nas outras pessoas. Relacionamentos amorosos e no futuro. Não podemos afirmar também que uma pessoa que passou por isso vai ter. Outra questão que é importante ressaltar: infelizmente é possível acontecer de vítimas de crimes infantis se tornarem possíveis potenciais abusadores", afirmou Roberta.

Alerta

Roberta também destacou a importância da família notar mudanças de comportamento de crianças e também denunciar em caso de crimes. "A primeira fase é a negação. A família pode achar que a vítima está mentindo, mas a gente tem que pensar que uma criança tem pouco material para construir uma narrativa se não teve um contato anterior. A orientação é: escute essa criança, dê abertura para que ela fale. Quando tem alguém duvidando fica mais difícil, dá mais força para o abusador continuar abusando e não quebrar esse ciclo", finalizou a psicóloga.

Crimes

O casal, preso preventivamente, foi encaminhado ao sistema prisional e vai responder pelos crimes de estupro de vulnerável e satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (quando a relação é praticada na frente de menores de idade). O caso ainda tem o agravante por ser mãe e padrasto da criança. 


Com informações do site: otempo