sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Arqueólogos encontram túmulo de 1500 anos com casal abraçado na China


 
Foto: Reprodução
Em junho de 2020, arqueólogos encontraram, na província chinesa de Shanxi, um casal que foi enterrado abraçado há cerca de 1500 anos. Os esqueletos quase completos foram descobertos em um cemitério com mais de 600 tumbas dos xianbei, um povo nômade do nordeste da China, e, agora, as conclusões sobre o achado estão disponíveis em um artigo publicado na revista International Journal of Osteoarchaeology.

A partir dos formatos dos túmulos e dos objetos de cerâmica presentes no cemitério, os arqueólogos dataram a sepultura do período da Dinastia Wei do Norte (386-534 d.C.). O estudo ressalta que, embora enterros de casais não sejam raros na China, essa foi a primeira vez que o país registrou um caso em que os dois esqueletos estão se abraçando para demonstrar amor.

De acordo com os pesquisadores, o tamanho, o formato, a estrutura e a orientação dos túmulos indicam que o cemitério era usado por pessoas comuns, como plebeus. Eles observam, ainda, que o enterro foi feito com cuidado e sugere uma conexão profunda entre as duas pessoas. O corpo do homem estava inclinado em direção à mulher, cujo rosto provavelmente estava apoiado no ombro do companheiro enquanto ambos se abraçavam.

“A mensagem é clara: marido e esposa deitam juntos, abraçando um ao outro por amor eterno na vida após a morte”, concluem os autores do artigo, conforme relata o South China Morning Post. Qun Zhang, um dos pesquisadores e professor associado do Instituto de Antropologia da Universidade Xiamen, relembra que, durante a Dinastia Wei do Norte, o budismo foi popularizado e o conceito de vida após a morte ficou mais forte na sociedade.
Os profissionais também criaram hipóteses acerca da morte dos apaixonados.

Eles não descartam a possibilidade de que o casal tenha morrido ao mesmo tempo por alguma causa relacionada a envenenamento, violência ou doença. Mas, devido à falta de evidências ligadas a essas alternativas, os arqueólogos consideram que o homem teria morrido primeiro, enquanto a mulher poderia ter se suicidado depois.

Outro elemento que chamou a atenção dos acadêmicos foi uma espécie de faixa de metal localizada no dedo anelar esquerdo da mulher. Apesar de anéis serem artefatos comuns na arqueologia, os profissionais não costumam associá-los a um símbolo de amor ou casamento. No entanto, diante dessa situação específica, os autores afirmam que o enterro conjunto pode ser uma evidência direta de uma manifestação de amor e da importância de anéis dentro desse contexto.

Além disso, acredita-se que a mulher pode ter usado o objeto no dedo anelar por influência de costumes de regiões ocidentais, o que refletiria a integração entre culturas. “Essa descoberta é uma demonstração única do amor humano em um enterro, fornecendo um raro vislumbre dos conceitos de amor, vida, morte e vida após a morte no norte da China durante um tempo de intensa troca cultural e étnica”, constata Zhang.

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