quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Mãe diz que filha morreu após atendimento de falso médico no ES: 'acabou com a minha vida'


 


Foto: Reprodução

Uma mãe procurou a Polícia Civil do Espírito Santo nesta quinta-feira (19) para denunciar o falso médico Leonardo Luz Moreira pela morte da filha dela de 10 anos.

O falso médico foi preso pela Polícia Federal na quarta (18), em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, após cumprimento de mandado de prisão. Leonardo era investigado por exercício ilegal da profissão e falsificação de diploma emitido por uma universidade estrangeira.

A professora Alessandra Ferreira Marcelino contou que a filha Ana Luísa começou a passar mal na noite do dia 11 de janeiro com dores de barriga e vômitos. Ela, então, levou a menina para o Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus, e foi atendida pelo falso médico.

A mãe relatou que 20 minutos depois de esperar pelo atendimento, Leonardo atendeu a criança sem encostar nela e disse que o diagnóstico era gastroenterite.

"Ele não examinou minha filha. Ele não colocou a mão na minha filha em momento nenhum. Eu disse que que estava com medo de ela estar desidratada pelo volume do vômito em casa, mas ele falou que não a examinaria por causa do protocolo de Covid-19. De fato, como ele faria? Ele não é médico", relembrou.
Depois da consulta, o suposto médico orientou que ela continuasse com a medicação e falou que, se a criança pedisse, até refrigerante ela poderia dar. A professora relatou que foi com a filha para a sala de medicação do hospital e lá o quadro de Ana Luísa piorou.

Alessandra contou que quando a enfermeira do plantão iniciou a aplicação do medicamento recomendado pelo médico, Ana Luísa ficou pálida e sentiu dores no coração. A enfermeira retirou a agulha e a criança começou a ter convulsões.

A menina foi levada para a emergência do hospital para que o quadro dela fosse controlado. A mãe revelou que o médico passou por ela, disse que a filha era uma "leoa" e estava reagindo. Minutos depois, o falso médico voltou com a notícia do falecimento.

"Minha filha não tinha doença crônica. Ela era uma criança saudável, feliz. Todo mundo que convivia com Ana Luísa sabia o quanto ela tinha hábitos de vida saudável, estudava e nunca teve problemas de saúde", disse.
O laudo cadavérico apontou que a causa da morte foi gastroenterite e desidratação.

A professora disse que na época não denunciou o homem porque não tinha provas. Com a divulgação da prisão dele, ela decidiu registrar o caso na Delegacia Regional de São Mateus.

"Eu quero que ele seja condenado por homicídio doloso e não culposo. Ele não era médico, ele teve a intenção de matar, uma vez que ele se dizia médico. Quantas pessoas esse homem não matou, não diagnosticou errado e não medicou errado? Ele tem que pagar pelo que fez. Eu quero justiça pela vida da minha filha. Ele acabou com a minha vida. Acabou com a vida da minha família. Eu tenho vivido pelo meu filho mais velho de 15 anos", disse.

Investigação
A Polícia Federal informou que tem conhecimento da morte da menina e o fato foi utilizado para reforçar as condutas do falso médico. Entretanto, a PF disse que não está investigando o caso.

A Polícia Civil informou que recebeu a denúncia e que o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Mateus.

Prisão do falso médico
Leonardo Luz Moreira foi preso na quarta. As investigações apontam que ele se matriculou em uma faculdade de medicina da Bolívia, onde estudou por seis meses e adulterou os documentos para parecer que já havia cursado quatro anos e pediu transferência para uma instituição brasileira.

O falso médico foi contratado por diversas prefeituras do norte do estado e também pelo governo do estado. Ele atuava no estado há pelo menos três anos com salários acumulados de aproximadamente R$ 850 mil.

Ainda segundo as investigações o impostor intermediava que médicos ou os candidatos fizessem o mesmo esquema. O criminoso pagava cerca de R$ 40 mil para ter a transferência externa facilitada, e depois começavam a atuar nos municípios brasileiros em postos de saúde e hospitais.

Procurada, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que o homem não era servidor, e sim funcionário de uma empresa terceirizada.

Com informações do site: TV Gazeta, Caio Dias