sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Médico é indiciado por homicídio após paciente morrer em cirurgia de vesícula


 
Foto: Reprodução
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou um médico por homicídio culposo e falsificação de documentos após a morte de um paciente que havia passado por uma cirurgia para a retirada de pedras na vesícula. José Nóbrega de Lima, 67 anos, morreu em 9 de julho de 2019, na unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital particular, no Gama. Como a unidade de saúde não foi indiciada, o nome dela será preservada até o fim das investigações.

As apurações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama) concluíram que o paciente morreu por não ter tomado um medicamento que deveria ter sido aplicado com urgência. A ausência do remédio provocou um desequilíbrio nas taxas de potássio no sague e a consequente parada cardíaca de José Nóbrega.
Os investigadores também cumpriram mandado de busca e apreensão no hospital em 15 de julho deste ano, e conseguiram provas de que havia dois prontuários assinados pelo médico Ielvis Rosa Madureira. Em um dos documentos, consta o atraso na aplicação da medicação que poderia ter evitado a morte do paciente. No outro, não constava mais os trechos que informavam a negligência na administração do remédio.

Por acaso

A suposta falsificação no prontuário médico do paciente foi descoberta, por acaso, pela viúva de José Nóbrega. Após procurar a Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pro-Vida), a companheira do paciente relatou que precisava do prontuário para dar entrada em um seguro de vida em nome do marido.

Ela obteve, dias após o óbito, um relatório médico no qual constava que José Nóbrega faleceu pela falta de aplicação de uma medicação receitada pelo médico intensivista e que a morte ocorreu às 17h10 de 9 de julho de 2019. A viúva relatou, ainda, que solicitou ao hospital uma cópia integral do prontuário. Quando recebeu a documentação, o relatório estava diferente do que havia recebido anteriormente e não constava mais os trechos que informavam a negligência na administração da medicação.

A Pró-Vida instaurou Procedimento de Investigação Criminal (PIC) e ouviu a enfermeira e a técnica de enfermagem que estavam de plantão na oportunidade. Elas informaram que não conseguiram obter a medicação na farmácia da UTI em função de problemas na realização da prescrição no sistema eletrônico do hospital. Esse fato gerou a demora que levou à morte do paciente.

No PIC, o Ministério Público concluiu que a morte de José Nóbrega de Lima estaria correlacionada à falha assistencial decorrente do atraso na administração de medicamentos imprescindíveis. “Importante destacar que o retardo do início do tratamento diminuiu as chances da vítima, que evoluiu para um quadro grave de disfunção dos sistemas cardiovascular e respiratório. Esse desfecho deu-se por fatores administrativos hospitalares”, aponta o MPDFT.

Com informações do site: Metropoles