quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Andréia Horta estreia filme sobre separação após divórcio com ator: 'Construir novo jeito de se relacionar'


 
Foto: Reprodução

Andréia Horta está a mil. Vai encarar uma dobradinha no horário nobre: revive Maria Clara em "Império" e será Lara em “Um lugar ao sol”, próxima novela das 21h. E estreia, nesta quinta (30), sua volta aos cinemas como a protagonista do filme “O Jardim Secreto de Mariana”, do diretor Sérgio Rezende ("Salve Geral", "Lamarca").

Ela é a grande estrela do longa, a botânica Mariana, que passa por uma separação conturbada. Na vida pessoal, Andreia também enfrentou uma separação recentemente. Há duas semanas, revelou que o casamento com o ator Marco Gonçalves terminou após dois anos.

As coincidências entre a personagem e a atriz mineira de 38 anos param por aí. Mariana tem uma vontade gritante de ser mãe. Para Andréia, o maior desafio foi encontrar esse desejo.

"A personagem tem uma visão tão simples sobre sobre a maternidade quando eu e muitas mulheres da minha geração nos questionamos se realmente queremos isso, ganhando outras camadas nessa nessa narrativa própria que não quer dizer maternidade."

Ela conta que ficou comovida com a vontade da personagem, que vai até as últimas consequências para conseguir o que quer: vende a casa, se submete a tratamentos químicos e outra série de pequenas batalhas.

Para Andréia, o filme também reflete sobre como enfrentar grandes dificuldades, as consequências que as emoções não cuidadas acarretam para o outro e como isso pode se tornar violência. Na história, enquanto Mariana segue a vida após a separação, João (Gustavo Vaz) fica perdido e violento.

"Ainda bem que a gente tem discutido sobre isso enquanto sociedade, essa violência do homem, essa masculinidade tóxica que destrói o homem e também destrói a mulher. É urgente a gente trazer essas discussões para mesa e construir um jeito novo de se relacionar."
Brumadinho, o cinema e o desastre

Parte do filme foi rodada em Brumadinho, cidade em que o rompimento de uma barragem de rejeitos no início de 2019 vitimou centenas de pessoas. Mineira de Juiz de Fora, Andreia defende que a arte é uma das maneiras de chamar a atenção e reviver o local.

"Nós gravamos em Inhotim, que é uma fazenda protegida pelo homem, onde tudo é muito exuberante. Isso contrastando com a cidade de Brumadinho que é uma cidade absolutamente agredida pelo homem, uma cidade cuja extração do minério de ferro é a tônica dela, inclusive foi o grande desastre em decorrência dessa exploração de medida do homem."

Apresentadora do programa "O País do Cinema", Andréia é defensora e ativista pelas artes. Para ela, voltar ao cinema com um filme tão sensível e em uma cidade tão simbólica é também uma forma de mostrar a "necessidade e a urgência" desse gênero.

"O desmonte das políticas públicas já vem acontecendo com a cultura de uns anos para cá. As pessoas hoje não têm dinheiro para filmar. Você não consegue continuar fazendo filmes hoje. E isso é muito grave muito grave para a história de um país que estava principalmente filmando muito antes disso."
"A gente estava em um momento muito fértil do cinema brasileiro, filmando todos os gêneros possíveis. A gente tem um cinema muito rico e muita gente jovem, muitas visões diferentes sobre o Brasil. E no momento que esse caldeirão está borbulhando, a gente sofre um ataque e isso é um atraso, uma tristeza muito grande, mas as pessoas vão continuar dando um jeito de filmar vão continuar lutando para que haja políticas públicas", defende.

Nova novela

A atriz está em ótima companhia para a novela de Lícia Manzo: será par de Cauã Reymond e neta de Marieta Severo. Sua personagem é Lara, uma mulher batalhadora e que vai sofrer e ser enganada pelos vilões.

Gravando durante a pandemia de Covid-19, Andreia conta sentiu muita responsabilidade ao receber esse papel. "Tivemos um protocolo super rígido e uma conduta super atenta, a gente era testado todos os dias, de segunda a sábado. A gente tinha um comprometimento de se manter protegido, de não ficar indo a lugares, não encontrar pessoas. Então foi exercer um sacerdócio mesmo, difícil, delicado e importante", conta.

Outra novidade para ela é que os atores ficaram no escuro, sem saber muita coisa dos outros núcleos e sem a resposta diária do público. "A gente já acabou e eu não sei nada. Não sei sobre os outros personagens, como é o cenário, não encontrei com os outros atores. Foi uma experiência muito única muito diferente, minha primeira novela que acaba sem ter estreado."

Com informações do site: G1 Globo