quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Casa de família que denunciou agressão de policiais é alvo de tiros em Santo André


 
Foto: Reprodução

A polícia de São Paulo apura um suposto ataque a tiros à casa de uma família de Santo André (na região do ABC paulista) que denunciou agressões praticadas por policiais militares durante uma abordagem na última sexta-feira (27).

De acordo com a família, foram três disparos contra o portão da casa efetuados por um desconhecido na madrugada de segunda-feira (30). Os projéteis perfuraram portão de metal, acertando o veículo de um dos moradores e paredes dos muros internos da residência. Ninguém se feriu.

O ataque à casa da família de Santo André foi revelado pelo G1.

Uma das linhas de investigação tenta descobrir se a ação foi feita por pessoas ligadas ao grupo de policiais que foi detido por participar das agressões de sexta -a prisão foi ordenada pela Justiça Militar.

De acordo com a versão dos presos, os policiais foram abordar um jovem na rua Recife, bairro de Sacadura Cabral (em Santo André), durante a madrugada. Na ação, os familiares do rapaz teriam desacatado os militares, dando início a um tumulto que terminou com pessoas feridas dos dois lados.

Todos foram encaminhados ao pronto-socorro para receber atendimento médico.

Durante a elaboração da ocorrência, imagens da abordagem foram apresentadas pelos familiares. Após a análise do material, o comando da PM local decidiu instaurar inquérito policial militar e apresentar todos os envolvidos à corregedoria.

A pedido da PM, a Justiça Militar determinou a prisão preventiva (sem prazo) de dois sargentos e dois soldados que atuaram diretamente no caso -eles foram levados para o Presídio Militar "Romão Gomes".

Sobre as suspeitas de que o ataque de segunda tenha sido uma retaliação, a PM informou que a corregedoria acompanha as investigações da ocorrência registrada como ameaça e disparo de arma de fogo.

"Uma das vítimas foi ouvida e passou detalhes do ocorrido. Foi realizada perícia no local. Diligências estão em andamento para localizar imagens e testemunhas que auxiliem na identificação dos autores e esclarecer os fatos", diz nota da Polícia Militar.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, o caso é um absurdo e precisa de uma resposta rápida das polícias, até por ser uma afronta à corregedoria, ao comando da Polícia Militar, e a própria Justiça Militar.

"Além disso, cabe ao governo de São Paulo tomar medidas para garantir a integridade física dessas vítimas, por meio de ações da Polícia Civil e da própria corregedoria da PM", disse ele.

Com informações do site: FolhaPress