quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Coité – Dez anos do pouso forçado de avião; saiba o que provocou


 
Foto: Reprodução
Está completando neste dia 7 de setembro de 2021, 10 anos de um assunto raro e único ocorrido em Conceição do Coité e que chamou a atenção não apenas dos moradores do Distrito Aroeira, distante 19 km da sede do município, onde foi registrado o episódio, como em todo estado da Bahia após a repercussão do caso.

Um avião monomotor Ipanema  202 da Embraer, prefixo PT – UPB da Empresa Precisão, que presta serviço de pulverização em lavoura, fez um pouso forçado por volta das 07h do dia 7, uma quarta-feira, na fazenda  Jenipapo a 1 km do sede do distrito.

Ao completar uma década o Calila Notícias fez um levantamento para saber o que realmente aconteceu com a aeronave e conseguimos as informações através de um relatório do CENIPA que é o órgão do Comando da Aeronáutica responsável pelas atividades de investigação de acidentes aeronáuticos da aviação civil e da Força Aérea Brasileira.

De acordo com o órgão o único objetivo das investigações realizadas pelo CENIPA através do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER) é a prevenção de futuros acidentes aeronáuticos. O propósito desta atividade não é determinar culpa ou responsabilidade, objetiva exclusivamente a prevenção de acidentes aeronáuticos.

Veja o que diz o relatório

No dia 7 de Setembro de 2011 a aeronave modelo EMB-202 um avião agrícola da fabricante brasileira EMBRAER com prefixo PT-UPB decolou do município de Pinhão, BA, para o município de Itaberaba, BA, com um piloto a bordo, para um voo de traslado.

Cerca de 01h20min de voo após a decolagem, ocorreu a perda de potência do motor e o piloto decidiu realizar um pouso de emergência numa área descampada da fazenda Pedregulho, distrito de Aroeira município de Conceição do Coité, BA.

Durante o pouso houve o impacto contra uma cerca de proteção. A aeronave teve danos substanciais, o piloto saiu ileso.

A equipe de investigadores constatou que, durante os reparos da aeronave no local do acidente, os tanques de combustível haviam sido substituídos por outros que apresentavam os placares originais do tipo AVGAS.

Este fato pode induzir a um possível abastecimento da aeronave com combustível inadequado, uma vez que a aeronave havia sido homologada a operar com Álcool Etílico Hidratado Combustível (AEHC).

Não foi possível constatar se os mecânicos responsáveis pelos reparos da aeronave possuíam credenciais da ANAC, bem como se suas respectivas habilitações técnicas eram compatíveis com os serviços realizados, colocando, ainda, a dúvida se atuavam por intermédio de oficina homologada para tal.

As amostras analisadas de combustível, com base nas especificações da ANP, mostraram discrepâncias relativas à condutividade elétrica, massa específica e teor alcoólico.

Os valores encontrados sugerem uma concentração de água e outros produtos/impurezas acima do permitido e tolerado pelas referidas Normas.

Assim sendo, um combustível desta natureza, usado por um curto período de tempo, contribui para o desgaste prematuro dos componentes do sistema combustível, favorecendo o entupimento dos bicos injetores e o consequente apagamento ou perda de potência de motor.

Segundo o fabricante da aeronave, a formação de material gelatinoso no sistema de combustível, encontrado nos bicos injetores, está intimamente relacionada com o resultado da corrosão ocasionada pela recorrente utilização de combustível (ETANOL) com características diferentes das especificadas da ANP.

Alguns dos principais fatos e fatores contribuintes do acidente, sugeridos pelo CENIPA foram:

1. O combustível utilizado na aeronave se encontrava fora das especificações da ANP

2. Aeronave não fazia uso do kit de teste de combustível para etanol

3. O filtro do sistema de combustível instalado na aeronave não correspondia ao previsto pelo fabricante

4. Manutenção do avião

5. Supervisão gerencial.

Com informações do site:  Redação CN