quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Justiça marca para novembro 1ª audiência com empresário que matou esposa a facadas após discussão sobre futebol em SP


 
Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo marcou para 22 de novembro a primeira audiência com o empresário Leonardo Souza Ceschini, de 34 anos, acusado de matar a facadas a esposa, a representante comercial Érica Fernandes Alves Ceschini, também de 34 anos, em 31 de janeiro, após uma discussão por causa de um jogo de futebol.

Essa etapa do processo é chamada de audiência de instrução e serve para a Justiça decidir depois se há indícios de crime para levar o réu a julgamento popular. Leonardo responde em liberdade por feminicídio. A juíza Giovanna Christina Colares, da 5ª Vara do Júri, também ouvirá os depoimentos das testemunhas. A sessão será presencial e deverá começar por volta das 13h30 no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista.

Leonardo é torcedor do Corinthians. Érica era palmeirense. O marido confessou o assassinato dizendo que os dois tinham discutido no dia seguinte à final da Copa Libertadores, em 30 de janeiro, na qual o Palmeiras foi campeão ao vencer o Santos por 1 a 0, no Rio. E que ele a matou para se defender dela.

Vizinhos do casal acionaram a Polícia Militar (PM) depois de escutarem gritos no apartamento em que ele morava com os filhos gêmeos de 2 anos, no bairro São Domingos, Zona Norte da cidade. As crianças não estavam no imóvel no dia do crime. Elas tinham ficado com parentes.

Érica foi encontrada ensanguentada e morta, caída no chão da cozinha. O marido também estava ferido. Após dar uma versão de que a esposa tinha o esfaqueado e cometido suicídio, Leonardo confessou o crime.

Ele falou que os dois tinham "desavenças devido cada um ser torcedor de time de futebol diferente". E que a mulher o cortou com a faca, mas ele conseguiu pegá-la e a esfaqueou de volta, com "vários golpes que causaram a morte dela". A faca foi apreendida.

Réu solto

Atualmente Leonardo responde em liberdade pelo assassinato de Érica. O empresário chegou a ser preso em flagrante pela PM, mas foi solto em fevereiro por decisão judicial. A alegação foi a de que o Ministério Público (MP) demorou para se manifestar sobre o caso.

Em julho, o promotor Fernando Bolque denunciou Leonardo pelo crime de homicídio doloso qualificado por feminicídio, motivo fútil e meio cruel. Naquele mesmo mês, a juíza Giovanna aceitou a denúncia contra o acusado, tornando-o réu no processo.

Quem é acusado por crimes dolosos contra a vida pode ser levado a julgamento popular, no qual sete jurados decidem se a pessoa deve ser condenada ou absolvida, cabendo ao juiz a aplicação da pena ou da sentença. Havendo condenação, a pena para assassinato pode chegar a 30 anos de prisão.

Para o promotor Fernando Bolque "é certo que o denunciado agiu valendo-se de motivo fútil, qual seja, simples discussão familiar fomentada por rixa esportiva. O crime também foi perpetrado com emprego de meio cruel, visto ter sido a vítima atingida por diversas facadas, suportando sofrimento atroz e desnecessário".

Furto, filhos e família

A Polícia Civil investiga ainda se, após o assassinato, o sogro de Érica furtou do apartamento em que ela morava com Leonardo: o carro dela, duas TVs, um micro-ondas, eletroeletrônicos e joias. O furto teria sido cometido enquanto o corpo da representante comercial era velado e sepultado, em dia 1º de fevereiro. A família da vítima gravou um vídeo para denunciar o furto (veja acima).

A guarda dos filhos gêmeos de Leonardo e Érica está com os avós maternos das crianças. Os meninos têm 2 anos e 8 meses de idade atualmente.

Aline Rodrigues Fernandes Alves de Oliveira, irmã de Érica, falou ao G1 que deseja que Leonardo seja julgado rapidamente pela Justiça. "Queremos justiça", disse.

Na opinião do advogado Epaminondas Gomes de Farias, que defende os interesses da família de Érica e atua como assistente de acusação do MP, foi importante a denúncia contra Leonardo por feminicídio, que é o crime cometido contra uma mulher pela sua condição de gênero.
"Existe algo mais por trás dessa morte", disse o advogado dos familiares da vítima. "Para a família, a verdadeira motivação nunca teria sido jogo de futebol." Entre os outros motivos possíveis estariam: problemas envolvendo o relacionamento de Érica com os parentes de Leonardo e questões financeiras, já que ela seria a principal provedora do lar do casal.

Sobre a audiência de instrução do caso, Epaminondas falou que a expectativa dele e da família é a de que Leonardo seja julgado até o ano que vem.

"A expectativa é muito grande, já no dia 22 de novembro teremos a audiência de instrução para serem ouvidas todas as testemunhas, a acusação, defesa e, por último, o interrogatório do réu. O resultado que nós aguardamos é a pronúncia [submetê-lo a julgamento]. Por isso da importância de ser realizada ainda neste ano. A expectativa nossa é que ele seja julgado em 2022 pelo júri. Depois esperamos a condenação", falou o advogado.

A defesa de Leonardo não foi encontrada para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.

Com informações do site: G1 Globo