quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Filha de defensor público é confundida com pedinte e barrada em shopping; pai denuncia racismo


 
Foto: Reprodução

A Delegacia da Criança e do Adolescente do Ceará deve investigar o caso de uma adolescente de 16 anos que foi barrada de entrar em um shopping, na quarta-feira (22), ao ser confundida com uma pedinte. Mel Melo é filha do defensor público Adriano Leitinho Campos, que denunciou a situação por meio do Instagram. Para o pai, a filha foi impedida por ser negra e sofreu racismo.

“Minha filha foi para a Portugália [padaria] para comer. Fiquei de encontrar com ela lá. Quando ela ia entrando, a segurança a abordou dizendo que ela não poderia ficar pedindo ali no shopping”, explica o defensor. Para Leitinho Campos, mesmo que a filha fosse pedinte, de fato, a abordagem continuaria sendo discriminatória .

Em entrevista para a TV Verdes Mares, afiliada da Globo no Ceará, a jovem contou que só percebeu o preconceito sofrido depois de conversar com uma amiga, que a orientou a falar com o pai. Antes, ainda na porta do shopping, ela teve que explicar que era cliente e que não iria pedir dinheiro. A segurança se desculpou e a adolescente entrou no local.

“A segurança tratou a minha filha como pedinte apenas por ser negra, ligando a cor à pobreza, o que é inadmissível e é racismo. Minha filha estava voltando do jiu jitsu de kimono, com sua mochila nas costas. Não estava pedindo nada a ninguém. E mesmo se estivesse não justificava a abordagem racista e discriminatória”, conta o pai de Mel.

O shopping em que o episódio ocorreu, o Pátio Portugaleria, pediu desculpas ao pai e à filha, conforme informa o G1. Já a segurança que abordou a jovem explicou que a viu correndo entre um posto de combustível e o shopping, o que a fez achar que a adolescente era pedinte. Ela também se desculpou e pediu demissão do emprego ontem (23).

“O conhecimento contribui para que a gente consiga lidar melhor com a situação, principalmente, no que tange a essa questão da busca para a efetivação dos direitos do público vulnerável que tem seus direitos violados todos os dias. A gente tem que levar essa educação em direitos para que a sociedade não se cale, procure a Defensoria, as delegacias especializadas para fazer as notícias crimes”, comenta Adriano Leitinho, ao falar sobre o assunto, no site da Defensoria Pública do Ceará.

“Racismo não é ‘mimimi’, como muitos tentam taxar. Racismo é um crime inafiançável, que impacta a vida das vítimas e está na estrutura da nossa sociedade. Só a vítima sabe a dor e os males que causa na sua vida social”, diz.

Com informações do site: BHAZ