terça-feira, 26 de outubro de 2021

Ginecologista vira réu por estupro contra três pacientes de Abadiânia


 
Foto: Reprodução
A Justiça de Goiás aceitou, na tarde desta segunda-feira (25), uma denúncia contra o ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, o tornando réu por estupro de vulnerável envolvendo três pacientes de Abadiânia, no Entorno do DF. Ele também foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por crimes sexuais envolvendo outras três vítimas, só que da cidade de Anápolis, a 55 km de Goiânia.

(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que o ginecologista se tornou réu pelos crimes sexuais envolvendo três mulheres de Anápolis. Na verdade, os casos são de vítimas da cidade de Abadiânia. A informação foi corrigida às 21h25 de 25 de outubro.)

O médico sempre negou as denúncias e disse que jamais tocou as pacientes de forma indevida. Ele alegou em entrevista que os comentários feitos em redes sociais eram "brincadeiras".

O advogado Carlos Eduardo, que defende o médico no processo, disse nesta segunda-feira (25) que não vai se manifestar sobre as denúncias.

Segundo os promotores de Justiça, ao se valer da sua condição de médico e da confiança nele depositada, o réu praticou atos libidinosos contra mulheres que não podiam oferecer resistência.

O médico Nicodemos Júnior continua preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e teve manutenção da prisão preventiva mantida pela Justiça nesta segunda-feira.

Ele se tornou alvo de investigação depois que mulheres procuraram a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Anápolis para denunciar que foram vítimas de crimes sexuais dentro do consultório.

No início foram três mulheres, mas o caso ganhou repercussão e outras vítimas apareceram para fazer denúncias.

Outra denúncia
Ele também foi denunciado, na última sexta-feira (23) por crimes sexuais contra três mulheres de Anápolis. Segundo a promotora Camila Fernandes, a denúncia se refere aos relatos das três primeiras mulheres que registraram ocorrência na Polícia Civil. Mais de 50 pacientes procuraram a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Anápolis para denunciá-lo.

Veja o que se sabe sobre o caso
A promotora explicou ainda que fez a denúncia por estupro de vulnerável porque as vítimas não tinham condições de oferecer resistência no momento da consulta. A pena para este crime varia de 8 a 15 anos de prisão.

"Pedimos também na denúncia a manutenção da prisão do médico. Com relação às outras vítimas, o Ministério Público iniciou a análise dos inquéritos e, tão logo seja concluída, as denúncias serão encaminhadas ao Poder Judiciário", esclareceu Camila Fernandes.

Como o processo corre em segredo, o g1 não conseguiu verificar se esta nova denúncia também já foi aceita pela Justiça.

Investigação
As primeiras denúncias contra o médico que levaram à primeira prisão dele em Goiás surgiram em Anápolis. A delegada Isabela Joy, responsável pelas investigações, deteve Nicodemos em 29 de setembro. Depois da divulgação dos casos, mais de 50 mulheres registraram ocorrência.

No processo contra ele pela Polícia Civil de Anápolis, o médico foi indiciado por:

22 casos de estupro de vulnerável
22 casos de violação sexual mediante fraude
9 casos de assédio sexual

Apesar do número de denúncias, o médico foi solto em 4 de outubro por decisão da Justiça, passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. No entanto, mais vítimas de Abadiânia registraram ocorrência e ele foi preso novamente quatro dias depois.

O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) interditou o registro dele por seis meses, podendo ser prorrogado por igual período. Desta forma, ele fica impedido de exercer a medicina no país.

Relatos de pacientes
As pacientes relatam diversos tipos de comportamentos e comentários com conotações sexuais por parte do ginecologista.

Uma das vítimas disse que, durante uma consulta no ano passado, o médico elogiou seus olhos e também o órgão sexual. Em seguida, perguntou sobre sua relação sexual com o marido.

“Eu fiquei congelada e ele fazendo manipulações, isso tudo com os dois dedos introduzidos na minha vagina. Eu não consegui nem respirar no momento. É uma situação que a gente nunca espera que vai acontecer”, contou.

Outra paciente relata que foi abusada pelo ginecologista durante o atendimento. Ela decidiu falar sobre o caso após a prisão do suspeito.

“Ele teve conversas inadequadas, me mostrou sites obscenos, brinquedos eróticos e tocou em mim não da forma que um ginecologista deveria tocar. Quando ele colocou minha mão na parte íntima dele, sabe?”, disse a paciente, que não quis se identificar.

Entre as denúncias, também está a da aromaterapeuta Kethlen Carneiro, de 20 anos, que procurou a Polícia Civil para relatar que foi abusada por ele quando ainda tinha 12 anos. Durante o atendimento, segunda ela, o médico sugeriu a leitura de material pornográfico.

“Ele veio me falar que eu podia começar a me masturbar. Me mostrou histórias em quadrinho pornô e vídeos. Me mandando os links e quais eu podia assistir. Depois levantou, pegou minha mão e colocou nele, na parte íntima dele", disse.

Em conversa por uma rede social, outra paciente pede informações ao ginecologista sobre o uso do anel vaginal, um método contraceptivo. Em um momento, ela pergunta se ele não atrapalha a relação sexual e se o parceiro não o sentiria. O médico, então, responde:

“Bom, minha namorada já usou e eu não percebi diferença alguma. Posso testar kkk. Brincadeira”.

'Brincadeira'
Nicodemos Júnior nega os assédios. Ele disse que comentários em aplicativos de mensagens eram “brincadeira” e admitiu que isso foi um erro.

"É muito complexo. Eu brinco com algumas coisas. Às vezes, nisso, eu pequei, realmente. (...) Mas, nunca, em nenhum momento, eu toquei em uma paciente com objetivo de ter prazer sexual ou de fazê-la ter um prazer sexual, porque o objetivo ali é o exame físico", disse.

Nos relatos das pacientes consta que o médico fazia muitas insinuações de cunho sexual, entre elas: "transar fortalece amizade" ou "faz o bronzeamento e me mostra".

"Muitas vezes, elas falam, 'olha, doutor, eu fiz alguma coisa assim, será que vai acontecer alguma coisa?'. Um erro meu, concordo, brinco no WhatsApp, comento alguma coisa de uma forma inadequada. Concordo que eu fiz isso, nisso eu estou errado", admitiu.

Com informações do site: G1