quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Narguilé pode ter afetado ferimento de vítimas de explosão de churrasqueira.


 
Foto: Reprodução
Parte dos convidados da confraternização em que churrasqueira explodiu, em Curitiba, estavam próximos ao objeto fumando narguilé, quando as chamas do objeto foram ampliadas com uso de gasolina, de acordo com a Polícia Civil do Paraná.

Especialistas que conversaram com o UOL apontam que os químicos presentes nos cachimbos d'água árabes podem ter contribuído para a intensidade das queimaduras das vítimas. O acidente ocorreu no sábado (2) e deixou três mortos e dois feridos.

Acidentes que envolvem explosões, principalmente com narguilés, são comuns nos prontos-atendimentos, conforme o médico clínico Reginaldo Oliveira Filho.

"A queimadura por narguilé precisa ser lavada imediatamente, já que há pólvora na composição e isso pode agravar ainda mais o ferimento. Em geral, as queimaduras são de primeiro e segundo graus e, na maioria das vezes, as vítimas colocaram bebida alcoólica no recipiente, em vez de água. É recomendável usar apenas o carvão", afirma o médico. 

Segundo a professora de química Graciela Silva, a mistura utilizada no narguilé, em especial em contato com produtos inflamáveis, pode resultar em explosão e queimaduras.


"Se juntar gasolina, fogo e narguilé, irá intensificar o fogo, que é resultado da reação entre um combustível e um comburente (substância que alimenta a queima), ou seja, o meio ficará mais propício para a reação de combustão. Essa reação também pode ocorrer por ignição perto da chama do narguilé, ou ainda por escape no botijão", explica ela.

Sinônimo de socialização e diversão, o consumo do narguilé é uma prática comum no Brasil e pode trazer vários riscos, principalmente para a saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, uma única tragada nele equivale a quase o volume de fumaça inalada de um cigarro inteiro. Uma sessão inteira com o utensílio corresponde ao mesmo que fumar até 30 cigarros. 

Vítimas precisam de mais cuidados 

Médica no Hospital Evangélico Mackenzie, referência no atendimento em queimados no Paraná, Barbara Schmitt é uma das profissionais da equipe que atenderam as vítimas da explosão da churrasqueira. Segundo ela, o tratamento desse tipo de caso é mais lento, diferente das queimaduras mais superficiais.

"A recuperação depende de cada grau e, nos mais graves, é preciso fazer um enxerto de pele para que a ferida possa cicatrizar. Levamos em conta a porcentagem do corpo atingido, quanto maior, maior é a gravidade também, já que a pele é o maior órgão que temos", explica ela. Schmitt não liga o narguilé diretamente à gravidade dos ferimentos, já que a explosão devido à gasolina já seria forte o suficiente e pelo fato de o caso ainda estar em investigação. 

Para a médica, a utilização de garrafas plásticas para espalhar o líquido inflamável ajuda ainda mais a alastrar o fogo. Até mesmo deixar o produto perto é sinal de alerta. "Muita gente coloca gasolina na brasa, achando que não tem perigo. O combustível em contato com a brasa é como se fosse o fogo. O mesmo ocorre com o próprio álcool que está dentro da garrafa. Em uma fração de segundo ocorre a explosão, é como uma bomba".

Em casos de queimaduras, a orientação é lavar a área atingida com água fria, evitar passar produtos químicos e buscar imediatamente atendimento médico. 

O acidente 

Nove pessoas estavam reunidas em uma residência no último sábado (2). Sete delas estavam na parte de cima do sobrado, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, quando a churrasqueira que era utilizada explodiu, atingindo cinco dos presentes. 

O dono da casa, Wallison Aparecido, conseguiu pular da sacada e evitou maiores ferimentos. Ele chegou a ser socorrido, mas já foi liberado. A namorada dele, a secretária Larissa Petez, de 20 anos, o vendedor Wemerson Souza, de 26, e o mecânico Gustavo Lucas Castro, de 27, chegaram a ser encaminhados ao hospital, mas morreram momentos depois. Os dois jovens foram sepultados ainda no domingo (3) e Larissa foi enterrada ontem, no Cemitério Vertical, na capital paranaense. Willian Silva Benitez, de 28 anos, segue no hospital em estado grave, e relatou que foi jogada gasolina no fogo, causando a explosão.

A Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito para investigar o caso. Nos próximos dias, testemunhas e familiares das vítimas devem ser ouvidas na Delegacia de Proteção à Pessoas, na capital do Paraná. O caso está sendo averiguado, inicialmente, como um acidente.

Com informações do site: UOL