quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Polícia pede indiciamento de motorista por agressão a ciclista em rodovia


 
Foto: Reprodução

A Polícia Civil remeteu à Justiça o inquérito policial que apura uma discussão de trânsito que resultou em um ciclista ferido em Santa Maria. O caso aconteceu em abril na Estrada Municipal Norberto José Kipper, a VRS-304. O professor Ricardo Bergamo Schenato, 36 anos, rompeu os ligamentos do ombro ao ser agredido por um motorista. A investigação indiciou o condutor do carro por lesão corporal grave.

Conforme a investigação dos policiais da 4ª Delegacia de Polícia de Santa Maria (4ª DP), o esportista foi vítima e agressões por parte do motorista após um desentendimento na rodovia. O delegado Antonio Firmino de Freitas Neto diz que aguardava o laudo da perícia para concluir o inquérito e remeter à Justiça.

- Optamos por aguardar o lauda pericial definitivo e, com base no laudo, pedimos o indiciamento dele (motorista). O crime de lesão corporal grave tem previsão de um a cinco anos de prisão - diz Firmino.

A RECUPERAÇÃO, AS SEQUELAS E OS GASTOS

Em entrevista à reportagem do Bei na tarde de quarta-feira, o ciclista contou como está a recuperação pouco mais de cinco meses após ser agredido. Ele passou uma cirurgia, voltou a trabalhar, mas revela que a vida nunca mais será a mesma.

- Eu fiquei com sequelas, sinto dor e provavelmente vou sentir dor para o resto da vida, pois alguns ligamentos que foram rompidos não puderam ser refeitos. Meu ombro nunca mais vai voltar a ser como Deus fez. Tem sequelas que eu vou carregar para sempre. São sequelas permanentes. Eu vou ter dor para o resto da vida - relata Schenato. 

Questionado sobre o esporte, o ciclista afirma que está com problemas psicológicos para retornar aos pedais.  

- Já tentei andar umas duas ou três vezes. Fisicamente eu já consigo, estou voltando aos poucos. Só que a cabeça está me atrapalhando um pouco ainda. Cada vez que passa um carro perto, eu dou uma estremecida. Ficou uma sequela não só física, mas psicológica para andar de bicicleta, então estou um pouco receoso e não estou conseguindo voltar como era antes - diz. 

Segundo ele, cada vez que passa um carro ao seu lado, ele revive o incidente. 

- Nunca mais fui pedalar naquele local. Não consigo ir para lá - desabafa.

Schenato já teria gasto mais de R$ 10 mil com atendimento médico, medicação, cirurgia e fisioterapia. 

O CASO

Conforme o relato o ciclista, ele estava pedalando pela rodovia quando um carro teria passado em alta velocidade, quase raspando na bicicleta. Segundo Schenato, ele teria feito sinal com o braço de que o motorista devia respeitar uma distância de segurança. 

- Logo em seguida, ele parou o carro em uma subida, desceu e ficou no meio da estrada. Não sei se ele me deu um soco, me bateu com alguma coisa ou se me empurrou. Quando eu caí, ele começou a me agredir. A sorte foi que um grupo de ciclistas estava passando e o fez parar de me bater - recorda.


Ainda segundo a vítima, seguidamente pessoas são agredidas ou ameaçadas no trânsito.

- Com tudo que estamos vivendo com essa pandemia, deveríamos ter mais compaixão e amor pelo próximo. Espero que ele se conscientize, veja que fez uma coisa errada. Temos que aprender a conviver juntos. Sinto uma mistura de frustração e tristeza, da sociedade ter chegado nesse ponto - desabafa.

O QUE DIZ A DEFESA

Em nota, o escritório de advocacia Cipriani, Seligman de Menezes e Puerari, que representa o motorista envolvido no caso, informou que, para compreender o que de fato aconteceu naquele dia, é preciso levar em conta o local onde o fato aconteceu: uma rodovia estreita, sem acostamento e com tachões na maior parte de sua extensão. "Portanto, é fundamental pontuar que o ciclista estava andando sobre a rodovia, e o motorista, sem poder trafegar pela contramão em decorrência da sinalização horizontal, não teve como manter a distância que o ciclista julgava ser a ideal no momento", diz a nota.

"Tão logo o motorista passou pelo ciclista, passou a ser ofendido, aos gritos, com expressões de baixo calão. O motorista parou o carro e desceu na tentativa de entender por quais motivos estava sendo despropositadamente ofendido. O ciclista não parou e, além disso, desferiu um pontapé no motorista. Assim, diferentemente do que é alegado pela vítima, a prova produzida no inquérito revelou que não houve uma agressão covarde por parte do motorista. Pelo contrário, o que a investigação mostra é que foi o ciclista quem deu início à discussão, que acabou culminando em agressões físicas mútuas e recíprocas. Além disso, o inquérito deixa claro que o motorista tentou, por diversas vezes, cessar a briga, mas o ciclista tornava a investir contra ele, até que se envolveram em uma contenda corporal mais séria que culminou com as lesões que foram apuradas no inquérito.

Nós temos a mais absoluta certeza de que, ao longo do processo, vai restar mais do que evidenciado que não houve intenção alguma de causar lesões. Pelo contrário, houve uma briga, recíproca, causada pelo ciclista e com um desfecho lamentável", conclui a nota.

Com informações do site:  bei