sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Polícia pede mais prazo para afastar policiais suspeitos de extorsão e tortura no Ceará


 
Foto: Reprodução
A Polícia Civil pediu nesta quinta-feira (30) para o Ministério Público do Estado (MPCE) mais prazo para afastar os policiais envolvidos por integrarem uma organização criminosa instalada na Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), delegacia em Fortaleza.

A Justiça do Ceará determinou o afastamento dos 26 policiais civis, entre eles três delegados, denunciados pelo MPCE. Dentre os delegados investigados estão Anna Cláudia Nery, da Delegacia da Mulher; e Patrícia Bezerra de Souza Dias Branco, delegada da Assessoria Jurídica da Polícia Civil do Ceará. As duas delegadas são apontadas pelo Ministério Público como chefes do esquema que envolvia 26 policiais. A Justiça determinou também que elas usem tornozeleira eletrônica.

A decisão que determina o afastamento dos policiais suspeitos de formar uma quadrilha para extorquir dinheiro de traficantes é de 17 de setembro e seguiu em sigilo judicial até o dia 27, quando o órgão se pronunciou sobre o caso.

O argumento da Polícia Civil para pedir mais prazo para afastar os policiais é que a quantidade de servidores que devem ser notificados é grande e por isso, por enquanto, só cumpriu cancelamento das senhas e também dos logins de acessos desses denunciados das redes e também dos sistemas vinculados à Polícia Civil.

Os acusados ainda estão no tempo para se apresentarem de forma espontânea e cada um deles tem três dias para cumprir esse procedimento. Sete policiais já receberam a notificação judicial.

Além dos agentes de segurança, seis pessoas apontadas como "informantes" fazem parte da investigação, totalizando 32 alvos do Procedimento Investigatório Criminal, investigado através do Gaeco. O documento foi protocolado no dia 18 de agosto.

Investigação de agentes civil e militar
De acordo com as investigações, o policial civil, um inspetor, é um dos 26 policiais réus na Justiça do Estado denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O agente de segurança é suspeito de participar de extorsão, tortura dentre outros crimes.

As investigações apontam que o policial civil teria ligação com o policial militar. O que chamou atenção tanto da CGD como Gaeco é que o policial militar já foi alvo da 4ª fase da Operação Gênesis, realizada em julho de 2021 também pelo crime de extorsão e tortura.

Quebra de sigilo dos aparelhos telefônicos dos investigados
Conforme o órgão, além do afastamento de função pública de todos os policiais acusados, a Justiça autorizou a quebra de sigilo dos aparelhos telefônicos dos investigados, de onde as conversas interceptadas durante a investigação foram trocadas, a quebra de sigilo bancário, busca e apreensão nas residências e locais de trabalho de parte dos acusados e ainda o uso de tornozeleira eletrônica.

O g1 teve acesso ao processo de 298 páginas, assinado por três promotores, e com detalhes do esquema. Entre os crimes apontados pelo MP contra os agentes estão: extorsão, tortura, tráfico de drogas, peculato, prevaricação, denunciação caluniosa, falsidade ideológica, falso testemunho, abuso de autoridade, fraude processual, entre outros.

Os investigados são:
22 inspetores da Polícia Civil;
três delegados;
um escrivão;
seis informantes.
Defesa dos policiais

A Assessoria Jurídica da Associação dos Delegados disse que respeita a decisão que manda afastar os policiais envolvidos em um suposto esquema de tortura e extorsão, mas entende "ser absolutamente desnecessária [o uso de tornozeleira eletrônica], uma vez que os fatos sob apuração datam de anos atrás e as delegadas vinham exercendo suas funções de maneira exemplar e totalmente distantes do contexto pelo qual estão sendo acusadas, ensejo em que iremos requerer a revogação de tal medida".

O Sindicato dos policiais civis do Ceará afirmou que "buscará garantir que todos os direitos constitucionais dos policiais civis sejam resguardados, sobretudo o da ampla defesa e do contraditório bem como espera que os fatos sejam devidamente esclarecidos no Poder Judiciário".

A Secretaria da Segurança do Ceará diz em nota que "não compactua com desvios de conduta de seus agentes e colabora, por meio da Coordenadoria de Inteligência (Coin), com as apurações no sentido de esclarecer os fatos investigados".

Com informações do site: G1